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Lufthansa marca marco no caminho de empresas alemãs para reconhecer passado nazista

Lufthansa admite ter participado do regime nazista e encomenda estudo detalhado sobre trabalho forçado, marcando responsabilização empresarial

Miembros de la organización fascista SA sirviendo como policías auxiliares ocupando el aeródromo de Tempelhof en 1933.
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  • A Lufthansa encarregou um estudo aprofundado sobre o papel da empresa durante o nazismo para o seu centenário, reconhecendo participação clara no sistema nazi.
  • O relatório aponta envolvimento no rearme secreto, integração na economia de guerra e exploração de trabalhadores forçados em oficinas e fábricas de armamento.
  • A empresa reconhece que, durante a Segunda Guerra Mundial, muitos dirigentes estavam ligados tanto à Lufthansa quanto ao Estado, com uso de subvencões e cooperação com nazistas.
  • O estudo inclui, pela primeira vez, análise detalhada dos trabalhadores forçados, com conclusão prevista até 2027; o relatório completo será lançado junto com a obra Lufthansa: Los primeros cien años.
  • O movimento de revisitar passado nazista é cada vez mais comum entre grandes empresas alemãs, impulsionado por gerações mais jovens e pelo contexto político atual.

Lufthansa deu um passo histórico ao revisar seu papel durante o regime nazista, em comemoração ao seu centenário. A empresa encomendou um estudo abrangente sobre como se vinculou ao nazismo, incluindo participação na economia de guerra e exploração de trabalho forçado.

O trabalho aponta que a antiga Deutsche Luft Hansa AG, entre 1926 e 1945, integrou o aparato militar e apoiou atividades do regime. A direção reconhece que a companhia, na prática, funcionava como parte do sistema nacionalsocialista e contribuiu para o esforço bélico nacional.

O estudo, encomendado para o lançamento de um volume sobre os 100 anos da empresa, descreve o rearme estrutural e o apoio a uma força aérea secreta, além de destacar a entrada de pilotos treinados na operação de aeronaves. Os detalhes reforçam a relação estreita entre gestão e Estado.

Carsten Spohr, CEO da Lufthansa, afirmou que a empresa fez parte do sistema nazista. O relatório também revela que a Lufthansa produziu armamentos e manteve contratos com o governo durante a guerra, recorrendo a milhares de trabalhadores forçados, em condições degradantes.

Especialistas destacam que, ao longo do pós-guerra, a companhia tentou minimizar a ligação com o nazismo, focando apenas na parte técnica da aviação. O estudo atual amplia essa visão ao incluir uma análise aprofundada sobre os trabalhadores forçados, com investigações que se estendem até 2027.

A pesquisadora Manfred Grieger, coautor do estudo, explica que muitos líderes da época tinham participação em órgãos da empresa e do Estado. Ele também ressalta que a reunião entre empresa e regime era mais estreita do que se imagina, o que dificulta separar passado e presente.

A Lufthansa já contribuiu com a fundação Memoria, Responsabilidad y Futuro, criada para reparar vítimas do nazismo. A empresa afirma que a responsabilidade histórica não se limita a vínculos jurídicos, mas envolve reconhecer a participação no regime.

Pesquisas sobre o tema apontam que poucas empresas alemãs realizaram análises profundas de seu passado nazi. Especialistas destacam que o processo, embora longo, tem ganhado impulso nos últimos 15 anos, com mais empresas assumindo responsabilidades históricas.

Não se pode concluir que a Lufthansa tenha resolvido todas as questões, mas o estudo indica que o atual grupo busca aprofundar a compreensão do período. O tema continua gerando debate sobre o peso da história empresarial na Alemanha contemporânea.

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