- O chanceler alemão Friedrich Merz encerrou a viagem inaugural à China, elogiando a “boa cooperação” com Pequim, mas destacando problemas de capacidade ociosa de exportadores chineses.
- Merz visitou a unidade da Unitree, um site da Siemens Energy e viu tecnologia de carros autônomos da Mercedes-Benz em Hangzhou, enfatizando exemplos de cooperação e desenvolvimento tecnológico.
- Ele disse que há questões difíceis a tratar, principalmente a competição desleal provocada pela alta capacidade produtiva chinesa que excede a demanda de mercado.
- O governo alemão pretende manter consultas regulares entre os governos e pediu a uma autoridade econômica que participe de visitas à China; as consultas deverão começar no próximo ano.
- A China rebate acusações de excesso de capacidade, afirma que fortalece metas comuns de transição verde e que a desvalorização da moeda não é vantagem desejada, enquanto a relação comercial com a Alemanha permanece relevante.
O chanceler alemão Friedrich Merz encerrou nesta quinta-feira sua viagem de dois dias à China, destacando a cooperação convivente com Pequim, mas apontando a sobrecapacidade de exportadores chineses como desafio para o mercado alemão. A visita ocorreu em Hangzhou, com visitas a empresas de destaque em tecnologia.
Merz, em sua primeira viagem à China como chefe de governo, participou de encontro com executivos e acompanhou demonstrações de robótica, incluindo a Unitree, além de visitar operações da Siemens Energy e observar tecnologias de condução autônoma da Mercedes-Benz. O discurso enfatizou tanto exemplos de cooperação quanto questões a serem discutidas abertamente.
O chanceler ressaltou que, além dos aspectos positivos, existem assuntos de competição, com capacidades chinesas elevadas que afetam a demanda do mercado europeu. Ele informou que essas questões serão tratadas com mais detalhes após a visita e que solicitou ao ministro da Economia, Katherina Reiche, que acompanhe a viagem à China. A expectativa é iniciar cooperações governamentais constantes já no próximo ano.
Desafios de capacidade e comércio
Beijing contestou acusações da UE sobre sobrecapacidade, afirmando que isso não procede e destacando forças em áreas como energia renovável para apoiar metas comuns, incluindo a transição verde. Em 2025, a Alemanha registrou um déficit comercial com a China próximo de 90 bilhões de euros, com exportadores alemães em menor posição frente a uma China com forte presença industrial.
Merz também enfatizou o papel da China na cadeia global de suprimentos, destacando vulnerabilidades para fabricantes ocidentais e a importância da parceria com o mercado chinês. O premier chinês Li Qiang afirmou que Pequim atenderia demandas razoáveis de empresas ocidentais, sem buscar vantagem cambial por meio de desvalorização do yuan.
Próximos passos
Merz segue para Washington no próximo mês, com uma delegação empresarial ampla. A agenda de governo a governo com a China deverá incluir consultas regulares já no início do próximo ano. A visita buscou redefinir uma parceria estratégica abrangente, apesar de divergências persistentes entre a UE e Pequim.
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