- O Alto Comissionado da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, disse que um novo decreto talibã amplia a pena de morte e introduz punições corporais, aprofundando a repressão, principalmente contra mulheres.
- O decreto, ainda não publicado oficialmente, amplia o conjunto de crimes que podem levar à pena de morte e criminaliza críticas à liderança e às políticas talibãs.
- Türk pediu que os talibãs rescindam o decreto, imponham moratória de execuções e encerrem punições físicas, afirmando que o sistema é semelhante a um apartheid de gênero.
- O governo talibã afirmou que os direitos das mulheres são uma questão interna e que devem ser tratados localmente.
- Türk também alertou sobre o aumento de baixas civis em ataques cross-border com o Paquistão, reforçando a necessidade de diálogo político para evitar escalada.
A High Commissioner for Human Rights, Volker Türk, afirmou nesta quinta-feira que um novo decreto do regime Talibã pode ampliar as punições com pena de morte e restringir liberdades já limitadas no Afeganistão, sobretudo para mulheres. A expectativa é de que o texto entre em vigor em breve.
Segundo Türk, o decreto, assinado pelo líder supremo Hibatullah Akhundzada no mês passado, estabelece crimes e punições que violam obrigações legais internacionais do Afeganistão. Ele citou a possibilidade de punições corporais em casa e a legitimação de violência contra mulheres e crianças.
O alto comissário destacou que o decreto também criminaliza críticas ao governo de fato e às suas políticas, o que fere a liberdade de expressão e de reunião. A minuta não foi publicada oficialmente pelos ministérios afegãos, e a Reuters não teve acesso ao texto.
Contexto e apelos
Türk pediu que o Talibã revogue o decreto, imponha moratória de execuções e abandone punições corporais. Ele comparou o sistema a um apartheid de gênero, apontando falhas graves na proteção de direitos humanos.
O representante da ONU alertou ainda para a escalada de violência na região. Ele mencionou o aumento de baixas civis em ataques aéreos no território paquistanês que atingem áreas próximas à fronteira. O Paquistão informou ter realizado ataques dentro do Afeganistão, o que Kabul nega.
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