- Dois cemitérios de massa foram encontrados em Uvira, no leste da República Democrática do Congo, totalizando pelo menos 172 corpos, conforme o governador da província de Sud-Kivu.
- Os restos foram localizados nos bairros Kilomoni (31 corpos) e Kavimvira (141 corpos).
- A descoberta ocorre após a retirada do AFC/M23, que capturou a cidade em dezembro e recuou sob pressão dos Estados Unidos; o exército congoles voltou a ocupar a cidade no mês passado.
- A Human Rights Watch já havia relatado execuções sumárias em Uvira durante o controle rebelde; o AFC/M23 não comentou os relatos.
- A região permanece instável, com confrontos em várias frentes e perguntas sobre o apoio de Ruanda ao M23, enquanto mediadores internacionais seguem atuando.
Dois túmulos coletivos foram encontrados na cidade de Uvira, no leste da República Democrática do Congo, após a retirada do grupo rebelde AFC/M23, segundo um alto funcionário governamental. O total de corpos é de pelo menos 172, conforme revelou o governador local.
A região onde ficaram os achados inclui os bairros Kilomoni e Kavimvira, conforme afirmou Jean-Jacques Purusi, governador nomeado por Kinshasa para a província de South Kivu. Um dos cemitérios tinha 31 corpos, o outro 141, disse ele em comentários veiculados na quinta-feira.
Localmente há indícios de que várias pessoas teriam morrido em confrontos antes ou durante a ocupação rebelde, mas as circunstâncias exatas não foram verificadas pela Reuters. Não houve resposta do AFC/M23 aos pedidos de comentário.
Contexto
AFC/M23 ocupou Uvira em dezembro, como parte do avanço que controlou trechos de North e South Kivu. Eles iniciaram retirada com pressão dos EUA e, no mês passado, o Exército congolês retomou a cidade. A violência persiste em várias frentes da região.
Organização de direitos humanos aponta que execuções sumárias ocorreram em Uvira durante o período de controle rebelde, com relatos vindos de moradores e de uma fonte da ONU. A HRW citou ainda abusos cometidos por forças ligadas ao exército e por milícias antes da tomada, bem como durante a retirada.
A ONU e outras fontes internacionais registraram acusações contra o M23 de apoio externo, em meio a tensões com Ruanda. O governo de Kigali nega envolvimento com armas e tropas. Enquanto isso, confrontos seguem em diversas frentes do leste congolês.
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