- O Brasil defende contenção e negociação como caminho para a paz diante dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã.
- O governo ressalta que a posição tradicional do Brasil é buscar acordos, respeitar o direito internacional e evitar escalada de hostilidades.
- O Irã respondeu aos ataques com lançamentos de mísseis a países vizinhos, em meio a negociações sobre o futuro do seu programa nuclear.
- Como membro do Brics, o Brasil busca uma posição intermediária entre Irã e EUA; é possível encontro entre Lula e Trump no fim de março.
- O conflito afeta o comércio e a economia: o Irã é importador de produtos brasileiros (milho, soja), e o petróleo pode subir, impactando inflação.
O Brasil deve manter cautela diante dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, num cenário em que negocia tarifas com os americanos e tem o Irã como aliado no Brics, o grupo do Sul Global. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil destacam essa posição.
O governo emitiu um comunicado que condena a ofensiva e defende negociações como caminho para a paz. A nota destaca que a negociação é a posição tradicional do Brasil na região e pede respeito ao direito internacional e contenção para evitar escalada.
Mesmo com debates sobre o programa nuclear iraniano, EUA e Israel lançaram ataques; o Irã reagiu com ataques a bases de países árabes onde ficam tropas americanas. O Irã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos.
Fatores do Brics
Especialista da USP afirma que o Brasil busca uma posição intermediária entre Irã e EUA, dada a relação com os dois lados. O Brasil é fundador do Brics e mantém laços com Rússia e China, além de ter relação com o Irã por meio desse grupo.
Para Williams Gonçalves, a situação exige cautela devido aos aliados no Brics. Ele ressalta que o Brasil pode precisar de uma postura que não pareça favorecer o Irã nem os Estados Unidos, mantendo diálogo ativo.
Contexto econômico e diplomático
Pesquisador da FGV aponta que o Brasil tende a manter postura protocolar, criticando o ataque sem se engajar diretamente no conflito. Ele espera possivelmente uma visita de Lula aos EUA em março, com foco em negociação.
A análise destaca ainda que a queda de tarifas anunciadas pelo governo Trump e a recente decisão da Suprema Corte dos EUA podem influenciar a dinâmica de tarifas e acordos comerciais entre Brasil e EUA.
Oder que envolve o petróleo e o comércio com o Irã também é relevante. O Irã é importador de produtos brasileiros, especialmente milho e soja. Em 2025, o comércio bilateral somou US$ 3 bilhões, com Brasil tendo superávit. O potencial aumento do preço do petróleo pode impactar a inflação e as exportações.
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