- Irã pode acionar milícias aliadas para desestabilizar a região, atacando bases dos EUA, aliados regionais ou interrompendo o tráfego de petróleo pelo estreito de Ormuz.
- Os hutíes do Iêmen são os únicos com capacidade de atuar no mar, mirando navios de guerra, petroleiros e cargas comerciais no Mar Vermelho e no Bab el Mandeb.
- Hezbolá, apesar de debilitado, pode atingir objetivos dos EUA no Líbano e ameaça Israel; Israel mapeia até 1.200 alvos no Líbano em caso de retaliação.
- As Forças de Movimentação Popular do Iraque (Hashd al Shaab) somam entre 100.000 e 150.000 combatentes; milícias já atacaram bases americanas e têm representantes no Parlamento.
- O cenário regional é marcado pela retirada de tropas dos EUA na Síria, queda de Assad em parte do eixo regional e uma guerra entre Israel e grupos pró-iranianos que reduziu, mas não eliminou, a capacidade de resposta de Teerã.
Dois exercícios de avaliação regional apontam para a possibilidade de Irã acionar uma rede de milícias chiitas para atuar contra bases dos EUA, Israel, seus aliados regionais ou para interromper o tráfego de petróleo no Golfo. O alerta coincide com ataques recentes de EUA e Israel contra alvos no Irã, que podem aumentar a margem de escalada na região.
Grupos proiraníes mantêm capacidade de resposta apesar de perdas estratégicas. Entre os mais relevantes, destacam-se os hutíes no Iêmen, Hezbollah no Líbano e as milícias apoiadas pelo Irã no Iraque. A complexa rede pode, em teoria, provocar ataques marítimos, ataques a bases ou desestabilizar áreas estratégicamente sensíveis de Oriente Médio.
Ações dos EUA e de Israel aumentam o peso do cenário. Bases norte-americanas e navios de guerra no Oriente Médio têm alvos identificáveis em território iraniano, enquanto Teerã avalia respostas que podem incluir ataques contra bases em países anfitriões de forças dos EUA, ou medidas contra atores regionais aliados de Washington. Analistas ressaltam que qualquer reviravolta dependerá de decisões do governo iraniano.
Grupos chiitas e capacidades regionais
Os hutíes, com atuação no Mar Vermelho, aparecem como a força com maior capacidade de atacar infraestrutura marítima, drones e mísseis para alcançar alvos no Golfo. Internacionalmente, estima-se que eles somam entre 200.000 e 300.000 combatentes, segundo fontes da ONU, e têm histórico de ataques a navios e alvos no espaço marítimo do Red Sea.
Hezbollah, já enfraquecido por ações de Israel e pela perda de liderança, mantém capacidade de resposta contra alvos dos EUA no Líbano. Apesar de o grupo ter sido alvo de operações militares, ele continua com reservas de armamento e uma posição estratégica que compõe parte do eixo regional pró-iraní.
As Forças de Movimentação Popular no Iraque (Hashd al-Shaab) reúnem entre 100.000 e 150.000 combatentes e atuam como uma rede armada integrada ao aparato de segurança iraquiano. Mantêm presença de tropas dos EUA em solo e representam um fator de risco potencial para ataques a bases da região, caso haja deterioração do cenário entre EUA e Teerã.
Panorama na região e impactos potenciais
A reorganização de alianças no Oriente Médio, incluindo mudanças de liderança na Síria, contribui para uma geografia de risco variada. A saída parcial de tropas americanas da Síria e o enfraquecimento de frentes alinhadas a Damasco reduzem, mas não eliminam, a possibilidade de ataques coordenados via rede de milícias.
No Lebanese, a evacuação de parte do staff da embaixada dos EUA evidencia a possibilidade de ações adversas, ainda que o governo libanês busque evitar danos civis amplos. Em Israel, o sinal de listas de alvos em território libanês mostra o grau de vigilância e de preparação frente a eventuais reações de Hezbollah.
O conjunto de fatores sinaliza que, apesar de capacidades reduzidas frente a grandes ataques, a rede de milícias aliadas ao Irã permanece como variável relevante na equilibrada estabilidade regional. Autoridades e analistas ressaltam a importância de monitorar movimentos e mensagens oficiais de atores com influência regional.
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