Em meio às tensões internacionais, a China negou nesta segunda-feira (2) que esteja negociando a venda de mísseis ao Irã. A reação ocorreu depois que uma reportagem da Reuters afirmou que Teerã estaria perto de fechar um acordo com Pequim para comprar armamentos que ameaçam navios no Golfo. Segundo a agência, seis fontes disseram que […]
Em meio às tensões internacionais, a China negou nesta segunda-feira (2) que esteja negociando a venda de mísseis ao Irã. A reação ocorreu depois que uma reportagem da Reuters afirmou que Teerã estaria perto de fechar um acordo com Pequim para comprar armamentos que ameaçam navios no Golfo.
Segundo a agência, seis fontes disseram que as conversas envolveriam o míssil CM 302, de alta velocidade. Afirmaram também que as tratativas se arrastavam há cerca de dois anos.
Em coletiva, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, disse que a informação “não corresponde à realidade” e declarou que a China “cumpre suas obrigações internacionais”, sem detalhar se houve ou não qualquer conversa técnica sobre o tema.
Negociações do Irã sobre mísseis estavam avançadas
A Reuters informou em 24 de fevereiro que o Irã estaria avançando em negociações para adquirir o CM 302, descrito como um míssil de cruzeiro antinavio de alta velocidade, com alcance em torno de 290 quilômetros, segundo seis fontes com conhecimento do assunto.
A agência relatou que as conversas se estendem há cerca de dois anos e teriam ganhado tração após o conflito entre Israel e Irã em 2025.
Segundo a mesma reportagem, outros sistemas também teriam entrado no radar iraniano, como equipamentos de defesa aérea e capacidades relacionadas a tecnologia antissatélite, embora não haja confirmação pública de contratos, prazos de entrega ou valores.
Por que “290 km” é um detalhe importante
O alcance citado para o CM 302 fica muito próximo de um parâmetro usado como referência em regimes internacionais de controle de tecnologia de mísseis, como o MTCR.
Em linhas gerais, esse tipo de mecanismo trata como mais sensíveis sistemas capazes de transportar cargas relevantes a distâncias na faixa de 300 quilômetros.
Isso, por si só, não prova uma venda nem confirma que um acordo exista. Mas ajuda a explicar por que a informação ganhou tração e virou tema de segurança e diplomacia.
Entenda o conflito no Oriente Médio
A negativa chinesa ocorre em meio ao agravamento da crise regional e ao aumento da tensão envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
Nos últimos dias, Pequim condenou ataques atribuídos a EUA e Israel contra o Irã e defendeu cessar fogo imediato, além da retomada de negociações para evitar um alastramento do conflito, segundo relato publicado pela Reuters e declarações da própria porta-voz em coletiva registrada no site do governo chinês.
Até o momento, nem China nem Irã apresentaram detalhes públicos sobre qualquer contrato, cronograma de entrega ou termos de negociação.
A Reuters também afirmou que os Estados Unidos não confirmaram a venda e acompanham o tema dentro de um contexto mais amplo de pressão sobre os programas de mísseis e nuclear do Irã.
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