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Embaixador do Irã: EUA evitam acordo; Trump se vê como rei do mundo

Embaixador iraniano afirma que EUA não buscam acordo nuclear; acusa Washington e Tel Aviv de sabotar negociações e buscar mudança de regime

Brasília (DF), 02/03/2026 - O Embaixador da República Islâmica do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, durante entrevista coletiva. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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  • O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou que os EUA não buscam, de verdade, um acordo nuclear com o Irã e que negociações seriam possíveis.
  • Ele disse que, na reunião de especialistas em Viena, a mesa de negociação foi atacada por Israel e pelos Estados Unidos, segundo a visão de Teerã, usando o tema nuclear para tentar mudança de regime.
  • Nekounam afirmou que o Irã substituiu rapidamente o comando do Líder Supremo após a morte de Ali Khamenei, mantendo a defesa do país estável por meio de um Conselho interino.
  • O embaixador citou o caso Jeffrey Epstein para questionar a legitimidade dos EUA de “administrar o planeta”, dizendo que pessoas ligadas ao empresário não merecem governar soberania mundial.
  • Sobre a posição do Brasil, ele agradeceu a manifestação do Ministério das Relações Exteriores que condenou o uso da força, destacando que o Irã tem direito a se defender e que houve ataques a bases militares inimigas.

O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, participou de uma entrevista coletiva em Brasília para falar sobre ataques recentes e o impasse nas negociações sobre o programa nuclear iraniano. A coletiva ocorreu na Embaixada do Irã, em 2 de março de 2026.

Nekounam afirmou que, segundo ele, os EUA não buscam de fato um acordo com o Irã e que esse objetivo poderia ser alcançado por meio de negociações diretas. Alega ainda que a mesa de negociação em Viena, mediada pela AIEA, enfrentou novamente ataques vindos de Israel e dos EUA.

O embaixador ressaltou a acusação de que Israel e Washington teriam usado o tema nuclear como pretexto para promover mudanças de regime. Também afirmou que o Irã não descontinuou sua defesa, mesmo após a morte do Líder Supremo, ocorrida no fim de semana anterior.

Conforme Nekounam, o Irã substituiu rapidamente o comando do Líder Supremo por meio de um Conselho interino, mantendo a defesa do país estável e firme. Analistas consultados pela Agência Brasil veem nessa transição uma forma de conter influência externa na região.

Sobre a posição brasileira, o embaixador agradeceu à manifestação do Ministério das Relações Exteriores que condenou o uso da força por Israel e pelos EUA. O diplomata afirmou que o Irã considera legítima a defesa frente a ataques que classifica como direcionados a bases militares de adversários. Em relação aos ataques, estimativas indicam ações iranianas contra alvos estratégicos em diversos países da região.

Entretanto, o tema nuclear segue no centro das tensões entre Irã, EUA e Israel, com as partes mantendo versões opostas sobre o objetivo do programa de enriquecimento de urânio. A narrativa iraniana sustenta fins pacíficos, enquanto Washington e Jerusalém apontam riscos de militarização.

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