- No início de 28 de fevereiro, Israel e os Estados Unidos bombardearam alvos no Irã, enquanto a região vivia intensos combates.
- Foi divulgado que o líder supremo iraniano, Ayatollah Ali Khamenei, morreu durante os ataques ao seu complexo.
- Em retaliação, o Irã lançou dezenas de mísseis contra Israel e contra países do Golfo que abrigam bases americanas, mantendo uma atuação coordenada apesar da ausência de Khamenei.
- O especialista Vali Nasr afirma que a estrutura de poder do Irã é multi-nodal, capaz de seguir operando com várias lideranças ao mesmo tempo, sem depender de uma única pessoa.
- Segundo Nasr, há incerteza sobre quando a guerra acabará; os Estados Unidos parecem buscar uma vitória declarada, enquanto o Irã pretende manter a pressão para impor custos e impedir um cessar-fogo rápido.
O confronto entre Irã, Israel e os Estados Unidos escalou na região. Na madrugada de 28 de fevereiro, Israel e os EUA atingiram uma série de alvos no Irã. Horas depois, relatos indicaram que o aiatolá Ali Khamenei teria sido morto em ataques ao seu complexo. Enquanto isso, Teerã intensificou choques de mísseis contra Israel, sugerindo uma resposta coordenada mesmo com a ausência do líder supremo. Países do Golfo também foram alvo de ataques.
Especialistas apontam que o Irã opera por meio de uma rede de lideranças e instituições, não dependentes de uma única figura. Nasr descreve um “estado profundo” com conselheiros de segurança, chefes de agrupamentos militares e clericalismo, que gerencia a guerra mesmo sem Khamenei no comando. A estrutura permite continuidade de ações ofensivas.
A situação envolve ainda vários atores regionais. Houthis no Iêmen, com capacidade de atingir Israel ou vias de navegação, aparecem como potenciais escalonadores, enquanto Hezbollah poderia puxar mais forças para o fronte norte. A combinação de ações em diferentes frentes complica as cálculos de Washington e Tel Aviv.
Para entender a lógica de cada lado, o especialista afirmou que Irã e Israel costumam manter um limiar de tolerância a danos relativamente alto, com a desequilibrar de energia apontando para custos crescentes para os adversários. Os EUA, por sua vez, enfrentam maior sensibilidade política interna em relação a custos de combate prolongado e a impactos como o preço da gasolina.
A contínua pressão de Teerã busca manter a guerra em andamento, dificultando a normalização de termor de energia e pressões econômicas globais. Já Israel visa desqualificar capacidades militares do Irã e de seus aliados, mesmo com riscos de escalada.
O episódio também traz debates sobre o papel de aliados regionais. Oman chamou atenção ao sinalizar acordo nuclear avançado, o que diverge de narrativas oficiais de Washington, gerando apostas sobre o que pode ocorrer nos próximos meses na região.
Olhando para o futuro, Nasr alerta que o Oriente Médio atravessa uma fase de instabilidade após mudanças desde 7 de outubro de 2023. A guerra pode contribuir para uma nova configuração regional, com vencedores e perdedores, mas sem definição clara de equilíbrio entre as três frentes envolvidas. A administração dos EUA é descrita como sem visão coesa de longo prazo para o conflito e para o papel americano na região.
Entre na conversa da comunidade