- O primeiro-ministro canadense Mark Carney disse que o conflito no Oriente Médio é uma “falha” da ordem internacional e que os Estados Unidos não consultaram aliados antes de atacar o Irã.
- Navios de guerra de EUA e Israel lançaram ataques ao Irã no fim de semana, após negociações sobre o programa nuclear iraniano; o conflito se espalhou para ataques iranianos a estados do Golfo e a embaixadas norte-americanas na região.
- Carney afirmou que o Canadá não foi informado com antecedência dos ataques e não foi convidado a participar, mas reiterou apoio à ação dos EUA para evitar que o Irã obtenha arma nuclear.
- Em Sydney, durante visita à Austrália, ele pediu desescalada rápida dos hostilidades e respeito às regras internacionais de engajamento por todas as partes envolvidas.
- O premiê disse que o Canadá trabalha para fortalecer o relacionamento com outros países de poder médio, enfatizando coalizões pontuais e cooperação em áreas como defesa, segurança marítima e minerais críticos.
O primeiro-ministro canadense Mark Carney afirmou que o conflito no Oriente Médio é uma falha da ordem internacional. A declaração foi feita durante uma visita à Austrália, em Sydney, na quarta-feira. Ele apontou que os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã ocorreram sem consulta a aliados e sem consenso da ONU, após negociações sobre o programa nuclear iraniano estagnarem. Carney ressaltou que a ameaça nuclear persiste.
Ele explicou que Ottawa não foi informada com antecedência sobre as ofensivas e não foi convidada a participar. Em sua leitura, as ações violam precedentes internacionais e o direito à autodeterminação de estados, embora tenha reconhecido que cabe aos EUA e a Israel justificar a legalidade dos movimentos.
Carney pediu calma na região e disse que todos os envolvidos, incluindo EUA e Israel, devem respeitar regras de engajamento internacionais. O Canadá se colocou disponível para ajudar na de-escalada e afirmou que apoiava medidas para impedir o Irã de obter armas nucleares.
De-escalada necessária
O premiê canadense reforçou que o Canadá não participou dos ataques e não foi consultado. Ele acrescentou que o país está disposto a colaborar com esforços de contenção para reduzir hostilidades e restabelecer o espaço diplomático na região.
Carney está em uma peregrinação diplomática pela região da Ásia-Pacífico, com paradas programadas no Japão e na Índia. A viagem visa fortalecer relações entre Canadá e outros chamados “poderes médios” diante de tensões com grandes potências.
Caminho dos chamados poderes médios
Durante a passagem pela Austrália, Carney destacou a importância de coalizões flexíveis, formadas caso a caso, para enfrentar temas específicos. O Canadá pretende ampliar cooperação em defesa, segurança marítima, minerais críticos, comércio e inteligência artificial, segundo a agenda divulgada pelo gabinete do premiê.
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