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Afeganistão: Talibã afirma que homens podem espancar esposas

Decreto do Talibã prevê punição de até 15 dias de prisão para maridos que agredirem esposas com fraturas, ferimentos ou marcas visíveis, segundo tradução internacional

Afeganistão: homens podem espancar esposas, diz Talibã
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  • O Talibã publicou um decreto sobre punições para violência doméstica, determinadas pela gravidade das lesões causadas à esposa.
  • Se houver fratura óssea, ferimento aberto ou marcas visíveis, o marido pode ser considerado infrator e ser condenado a quinze dias de prisão.
  • O decreto também prevê punições mais severas para outras infrações locais, incluindo até cinco meses de prisão para quem organiza lutas entre animais.
  • Organizações de direitos humanos alertam que a norma pode dificultar as denúncias e reforçar restrições às mulheres sob o governo do Talibã.
  • Reação internacional: a ONU destacou que o decreto agrava a situação das mulheres; o contexto inclui regras que limitam a mobilidade e o acesso a espaços públicos, como janelas que dão para áreas usadas por mulheres.

O Talibã divulgou um decreto sobre punições em casos de violência doméstica, que passou a circular internacionalmente após a tradução em inglês divulgada pela organização Afghanistan Analysts Network. O texto aponta critérios para responsabilizar maridos acusados de agredir suas esposas.

Conforme o decreto, a punição depende da gravidade das lesões. Se houver fratura, ferimento aberto ou marcas visíveis, o marido seria considerado infrator e poderia cumprir pena de cerca de 15 dias de prisão. Penalidades mais severas aparecem para outros crimes previstos pela legislação local.

Além disso, a reportagem da CNN aponta que infrações como organização de lutas entre animais trazem penas de até cinco meses de prisão, segundo o documento. A divulgação internacional ocorreu em meio a um contexto de restrições sobre direitos das mulheres no Afeganistão.

Dificuldades para denúncias

Organizações de direitos humanos ressaltam que a aplicação do decreto pode ampliar os obstáculos para denúncias de violência doméstica no país. Ativistas destacam restrições enfrentadas pelas mulheres sob o governo talibã.

A ativista afegã Mahbouba Seraj comentou o tema em entrevista à CNN, destacando que, na prática, o poder do marido é visto como equivalente ao da lei. Ela descreveu um cenário em que as mulheres enfrentam maiores dificuldades para buscar ajuda.

Defensores dos direitos das mulheres afirmam que regras existentes limitam a mobilidade feminina e dificultam o acesso às autoridades, principalmente diante de interpretações locais da Sharia que atribuem menor peso ao testemunho feminino em processos judiciais. Seraj relatou o recebimento de inúmeras mensagens de mulheres buscando auxílio no país.

Reações internacionais

O tema foi levado ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. O alto comissário Volker Türk afirmou que o decreto agrava a situação das mulheres no Afeganistão, ressaltando um modelo de segregação institucional com base de gênero.

A ONU reiterou que o sistema atual no país tem características de segregação em instituições dependentes de gênero, o que complica a busca por proteção e justiça para as vítimas.

Mulheres no Afeganistão

Desde a retomada do poder pelo Talibã em 2021, várias medidas afetam o papel das mulheres, incluindo a obrigatoriedade de usar burca em espaços públicos e restrições à educação e ao mercado de trabalho. Dados do UNICEF apontam que mais de dois milhões de meninas e mulheres foram excluídas da educação desde então.

Em 2024, o líder talibã, Hibatullah Akhundzada, assinou decreto que proíbe a construção de janelas em residências com visão para áreas usadas por mulheres, como pátios ou cozinhas, e determina o fechamento de janelas já existentes. O porta-voz Zabihullah Mujahid comentou a situação em redes sociais, afirmando que ver mulheres trabalhando em cozinhas ou pátios pode levar a comportamentos inadequados.

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