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EUA afirma poder agir sozinho em países da América Latina

EUA afirma poder agir sozinho na América Latina após acordo de combate a cartéis com dezesseis governos, levantando questionamentos sobre soberania regional

U.S. Southern Command/Divulgação
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  • EUA firmaram acordo de combate a cartéis com 16 governos aliados na região, durante conferência em Doral, Flórida.
  • O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que os EUA estão prontos para agir sozinhos se necessário, mas preferem atuar junto dos países da região.
  • A ação é apresentada como parte da Doutrina Monroe, através do Corolário Trump, e faz parte da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA.
  • México e Brasil disseram que o combate às drogas deve respeitar a soberania dos países, defendendo coordenação e igualdade nas ações.
  • Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro reagiu, dizendo que não é preciso agir sozinho e que a aliança contra o tráfico deve ser regional, unindo Colômbia e América Latina.

Em meio a ataques contra o Irã, os EUA anunciaram um acordo de cooperação para combater cartéis na região, firmado com 16 governos da América Latina. A iniciativa foi apresentada na Conferência das Américas de Combate aos Cartéis, em Doral, Flórida, sob liderança do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth. A sessão ocorreu na última quinta-feira.

Hegseth afirmou que os EUA estão prontos para agir sozinhos se for necessário, mas a meta é atuar junto a vizinhos e aliados. A declaração reforça a orientação de Washington sobre a cooperação regional, segundo o participante da conferência. O tom suscitou questionamentos sobre soberania nacional na região.

A reunião aconteceu no âmbito do Comando Sul dos EUA, responsável por monitorar América Latina e Caribe. Representantes de Argentina, Guiana, Bolívia, Equador, Paraguai, Chile, Peru, Belize, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras, Jamaica, Panamá e Trinidad e Tobago participaram.

Conferência no Comando Sul

O evento descreveu uma nova doutrina para ampliar o acesso a áreas estratégicas e ao comércio, com o objetivo de permitir o desenvolvimento industrial local. Autoridades ressaltaram a necessidade de impedir a atuação de potências externas que possam ameaçar a paz regional, segundo a visão dos organizadores.

A coalizão firmada na Flórida foi apresentada como parte de uma estratégia de segurança nacional. Pesquisadores ouvidos pela Agência Brasil destacaram que a fala de Hegseth sinaliza um maior peso norte-americano na região e gerou debates sobre soberania latino-americana.

Reações e Contextos

Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro reagiu, dizendo que não é necessário agir sozinho para enfrentar cartéis e reforçando a ideia de cooperação regional para enfrentar o problema. Ele destacou que a parceria deve ser abrangente e baseada na vida e na paz.

México e Brasil enfatizaram a importância de respeitar a soberania dos países. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, defendeu uma ação coordenada com Washington, mas sem subordinação. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, integra a pauta de negociações com o governo norte-americano, incluindo o combate ao narcotráfico em sua agenda.

Equador e Paraguai

Equador e Paraguai mantêm estreitas relações com Washington no tema de narcotráfico. O Paraguai aprovou acordo que prevê presença de militares dos EUA com imunidade penal, ainda em tramitação na Câmara dos Deputados. Equador anunciou operações militares conjuntas com os EUA contra grupos ligados ao narcotráfico.

Ontem, o Senado paraguaio aprovou o acordo, abrindo caminho para a possível presença de tropas norte-americanas no país. A discussão envolve também aspectos de soberania e segurança regional, conforme reporte de fontes locais.

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