- A queda de conexão na prática é de cerca de noventa e nove por cento, com ataques aéreos que devem ter causado novas interrupções e poucas alternativas funcionando.
- O avanço da guerra entre EUA e Israel intensifica o bloqueio, que segue após o país sofrer um recente ataque que matou o líder supremo Ali Khamenei.
- O país mantém a rede interna nacional, a Rede Nacional de Informações (NIN), para o funcionamento diário, e o acesso à internet global fica restrito a elites, governo e alguns gateways ligados a terminais Starlink.
- Análises apontam que canais no Telegram permaneceram ativos durante o bloqueio e teriam aumentado a atividade, usados para moldar narrativas e, às vezes, divulgar relatos de retaliação.
- Ferramentas de circumvenção, como o Conduit da Psiphon, continuam em uso, com centenas de milhares de usuários diários mesmo com a conectividade limitada.
A internet do Irã está mais incerta do que nunca. A paralisação total reduziu o tráfego online em cerca de 99%, e ataques aéreos devem ter causado novas interrupções. Poucas rotas de contorno permanecem, enquanto o regime controla o fluxo de informações.
O apagão se soma a uma sequência de interrupções anteriores. No início do ano, Irã já viveu um bloqueio total, seguido de semanas de conectividade limitada, durante repressão a protestos. Com o acirramento do conflito entre EUA, aliados e o Irã, a situação ganhou nova dimensão.
A rede interna do país, conhecida como National Information Network (NIN), continua a sustentar atividades cotidianas. Pequenos grupos e autoridades mantêm acesso ao que chamam de intranet, com uso restrito de serviços globais. Tools de VPN e proxies ainda existem, mas a conectividade total não permite contornar medidas.
O que mudou na prática
Desde o ataque de mísseis estadunidenses e israelenses em 28 de fevereiro, houve quedas de tráfego em quase todos os sistemas de rede. Analistas dizem que apenas uma fração de conectividade permanece e que pode haver uma lista branca para tráfego específico, possivelmente para atualização de certificados ou para indivíduos com status privilegiado.
Mesmo nesses poucos serviços, falhas técnicas provocadas por ataques aéreos devem ter contribuído para novas interrupções. Relatórios de monitoramento indicam danos a infraestrutura crítica de internet e energia, agravando a limitação de acesso externo ao país.
Desdobramentos da censura e vigilância
Ao longo da última década, o Irã aumentou a construção de infraestrutura técnica, leis e mecanismos de vigilância para o controle digital. Bloqueios frequentes em 2019, 2022, 2025 e o atual reflexo de 2026 mostram técnicas cada vez mais sofisticadas de bloqueio. Em paralelo, soluções como a NIN ajudam a manter a economia e atividades diárias em meio ao isolamento.
Organizações de direitos digitais apontam que o governo promove, no âmbito da intranet, motores de busca domésticos e o envio de mensagens alertando sobre ações legais para quem tentar se conectar à internet global. Em análises de tráfego publicadas durante o conflito, canais de Telegram ligados ao regime intensificaram atividades, com relatos de maior volume de postagens, incluindo narrativa de ações militares, sem mencionar rumores sobre a morte de líderes antes de confirmação.
O papel de ferramentas de acesso externo
Para além da intranet, plataformas de uso externo continuam relevantes. O Psiphon, criador da rede Conduit, é citada como ferramenta de bypass que ligou usuários iranianos ao restante da web, mesmo com o isolamento. Em períodos de lockdown, milhões acessavam a rede, mas o suporte externo vem sendo reduzido por cortes de financiamento e ajustes de políticas internacionais.
Dados indicam que, no início de fevereiro, havia centenas de milhares de pontos de acesso externos ativos e milhares de usuários iranianos diários. Mesmo com a redução de conectividade, desenvolvedores e organizações tentam manter a disponibilidade de canais abertos para públicos dentro e fora do país.
Perspectivas
O futuro da NIN e do acesso externo continua incerto diante do conflito em curso. A infraestrutra sujeita a ataques, aliada à pressão internacional, aponta para continuidade de dificuldades de conectividade longe de um retorno rápido ao status anterior. As consequências para cidadãos, organizações civis e economia dependem de decisões políticas e de disponibilidade de suporte técnico internacional.
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