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O líder em tempo de guerra do Irã não é negociador

Larijani atua como coordenador do SNSC, em liderança coletiva, buscando escalada calibrada e possível acordo com os EUA, sem comprometer a estabilidade do regime

Ali Larijani stands during prayers in Tehran on July 10, 2015.
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  • Após o assassinato do líder iraniano Ayatollah Ali Khamenei em 28 de fevereiro, Ali Larijani atua como o principal gestor de crise, ocupando o cargo de secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional (SNSC).
  • Larijani é apresentado por observadores como interlocutor pragmático com potencial de acordo com os Estados Unidos, possivelmente similar ao que ocorreu com a Venezuela.
  • Sua trajetória inclui passagens pelo IRIB, pela Guarda Revolucionária (Revolução Islâmica) e pela liderança parlamentar, consolidando uma posição de mediador conservador pragmático ao longo de décadas.
  • O sistema político iraniano, com governança compartilhada entre diversas instituições, exige apoio de múltiplos atores para qualquer acordo com Washington; o SNSC atua como coordenador e executor de decisões.
  • Iran mantém estratégia de coerção econômica e energética como alavanca, sinalizando que negociações com os EUA podem buscar acordos limitados, sem romper com a sobrevivência do regime.

O líder supremo do Irã, Ayatollah Ali Khamenei, foi assassinado em 28 de fevereiro. A crise abriu espaço para a ascensão de Ali Larijani como peça central na tomada de decisões de Teerã, atuando como secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional (SNSC). O cargo é equivalente a um assessor de segurança nacional.

O SNSC congrega propostas de diferentes setores do aparelho de segurança. Com a mudança, Larijani ficou na linha de frente de um Irã em guerra híbrida, buscando manter o controle interno enquanto lida com pressões externas.

Perfil e trajetória de Larijani

Nascido em 1957, em Najaf, Larijani vem de uma família de clérigos. Formou-se em ciência da computação e entrou na política após o casamento com a filha de Motahari, figura ligada a Khomeini. Passou pelo IRIB e pela Guarda Revolucionária, ascendendo a cargos estratégicos.

Ele já foi ministro da Cultura, diretor do IRIB e, mais tarde, líder do parlamento (2008-2020). Sua atuação foi marcada por pragmatismo conservador e por manter controle sobre narrativas políticas e mediáticas.

O momento atual e o peso institucional

Após a saída de Shamkhani e a morte de Khamenei, um conselho informal passou a dominar decisões, incluindo políticas de contenção de protestos e estratégias de guerra. O SNSC, sob Larijani, atua como coordenador de propostas e implementação de decisões desse grupo.

O sistema iraniano impõe limites a qualquer autoridade individual. Qualquer acordo com os EUA exigiria consenso entre vários atores políticos e militares, além de evitar riscos à sobrevivência do regime.

Perspectivas de negociação com Washington

O Irã pode buscar novas pistas de negociação, inclusive conversas diretas com representantes dos EUA. Mesmo assim, é improvável que haja uma ruptura total com práticas anteriores. O objetivo, para Teerã, é obter vantagens sem comprometer a base do regime.

Observadores sugerem que o modelo venezuelano de acordos restritos pode inspirar a linha iraniana. Sanções parciais e retorno limitado do petróleo aos mercados poderiam abrir espaço para concessões graduais, sem normalização completa.

O uso da energia como alavanca

Teerã sinaliza que a energia global pode funcionar como alavanca. Interferência em rotas de petróleo e gás pode pressionar mercados, mas o regime evita escaladas que coloquem em risco sua própria estabilidade. O cenário aponta para uma negociação condicionada a custos estratégicos.

Larijani atua como gestor de escalada calibrada: reúne propostas, apresenta opções ao grupo dirigente e implementa as escolhas. O resultado de qualquer acordo dependerá dele e da coalizão de lideranças que o cerca.

Conclusão

A atuação de Larijani reflete uma governança coletiva. A viabilidade de um acordo com Washington dependerá de fatores internos e da leitura que o regime fizer do cenário global, especialmente diante de riscos para a energia e para a estabilidade regional.

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