- A Autorité des Marchés Financiers (AMF) abriu investigação sobre Michele Kang, presidente do Lyon, por possível “acordo paralelo” envolvendo Ares e a Eagle Football Group/Eagle Bidco.
- O órgão questiona a existência de um “conselho sombra” que governava o Lyon sem avisar os acionistas públicos, em desacordo com as obrigações de uma empresa listada na bolsa de Paris.
- O acordo estaria ligado a impedimentos de penhora de ações pela Ares sobre a Eagle Football Group e subsidiárias, sem consentimento prévio; a Ares é credora da Eagle na aquisição do Lyon em 2022.
- Michele Kang foi chamada a responder às investigações, com a AMF alertando sobre medidas para assegurar conformidade com a lei.
- Nos bastidores, John Textor afirmou haver um acordo paralelo que prejudicou a gestão e destituiu diretores independentes; houve mudanças de direção, incluindo a recusa da Ares em reconduzir dois diretores no Eagle Bidco e, posteriormente, eventual volta de Textor ao cargo, conforme registros da Companies House.
A Autorité des Marchés Financiers (AMF), órgão regulador financeiro da França, abriu investigação sobre Michele Kang, presidente do Lyon, por um possível acordo paralelo envolvendo a Eagle Football Group, o fundo Ares e a Eagle Bidco. A apuração foca a existência de um conselho sombra que operava o Lyon sem divulgação aos acionistas da empresa listada na Euronext Paris.
O regulador aponta que tais ações violariam obrigações de governança, já que decisões relevantes não teriam sido tornadas públicas. Entre os pontos examinados está um compromisso entre as partes para impedir penhoras de ações da Eagle ou de subsidiárias sem consentimento prévio. A Eagle havia financiado a aquisição do Lyon em 2022, por meio da Ares.
A AMF pediu que Michele Kang responda às perguntas da investigação com brevidade, deixando claro que pode adotar medidas para assegurar conformidade com a legislação brasileira e europeia aplicável, conforme o caso.
Contexto e desdobramentos
No fim de fevereiro, John Textor, dono da SAF do Botafogo e principal acionista da Eagle Football Holdings, descreveu em nota o que chamou de acordo paralelo. Segundo Textor, Kang teria aceitado uma possível separação do Lyon do modelo esportivo da Eagle e houve prejuízo à gestão do clube. Em resposta, Textor afirmou ter destituído diretores independentes da Eagle Bidco.
Alega-se ainda que o acordo paralelo criou um conselho de administração paralelo na EFG/OL, sem a participação da Eagle Football Holdings, que detém 93% das ações. AQS conta que as mudanças não foram comunicadas aos acionistas minoritários, parâmetro obrigatório para empresas listadas.
Após demissões de diretores independentes da Eagle Bidco no fim de janeiro, a Eagle destituiu Textor do cargo de diretor. Ares contestou por meio de carta, alegando autoridade para destituir o executivo, enquanto Textor e a defesa contestaram com base na legislação do Reino Unido, que regula nomeação de diretores sem consentimento.
Em 28 de janeiro, a Companies House confirmou a volta de Textor ao cargo de diretor da Eagle Bidco, após questionamentos sobre a legitimidade das reconduções dos ex-diretores Welch e Tseayo. A investigação da AMF permanece em andamento e envolve análise de governança corporativa e divulgação de informações relevantes.
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