- Brasil busca parceria com a Europa para explorar minerais críticos e terras raras, com foco em transferência de tecnologia e participação brasileira na cadeia de suprimentos.
- Embaixador Rodrigo Baena Soares afirmou, durante Hannover Messe em Hannover, que a relação deve ir além da exportação de minerais brutos.
- Entre os minerais estratégicos estão lítio, cobalto, níquel, grafita, cobre, manganês, nióbio e terras raras; o Brasil detém grandes reservas, especialmente de nióbio e terras raras.
- A Hannover Messe 2026 ocorre de 20 a 24 de abril, com o Brasil como país parceiro e cerca de 140 expositores brasileiros apresentando tecnologias industriais.
- O contexto inclui o avanço do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, com a Alemanha entre os defensores, em meio a tensões comerciais globais.
Brasil busca parceria com países europeus para explorar minerais críticos e terras raras, afirmou o embaixador Rodrigo Baena Soares. A declaração ocorreu durante entrevista coletiva em Hannover, na Alemanha, durante a apresentação da Hannover Messe, feira de tecnologia industrial que ocorre no fim de abril.
Segundo Baena Soares, a relação deve ir além da exportação de minerais brutos, incluindo transferência de tecnologia para que o Brasil tenha protagonismo na cadeia de produção. O embaixador destacou a importância de agregar valor no Brasil, com participação de empresas nacionais.
O diplomata ressaltou as grandes reservas do país, principalmente de terras raras, lítio, grafita e níquel, e a possibilidade de se beneficiar com tecnologia europeia, especialmente alemã. Ele tem mantido conversas com autoridades alemãs sobre o tema.
Elementos estratégicos e importância
Minerais críticos são usados em transições energética e tecnológica, além de defesa. Entre eles estão lítio, cobalto, níquel, grafita, cobre, manganês, níobio e as terras raras, grupo de 17 elementos.
Dados do Serviço Geológico do Brasil indicam que o Brasil detém 94% das reservas de nióbio, 26% de grafita e 12% de níquel, além de concentrar 23% das reservas mundiais de terras raras. Esses recursos são chave para turbinas eólicas, motores elétricos e aeroespacial.
Hannover Messe 2026
Este ano, o Brasil atua como país parceiro da Hannover Messe, que vai de 20 a 24 de abril. O evento reunirá representantes de centenas de países, com cerca de 140 expositores brasileiros. Baena Soares anunciou a realização de um evento paralelo sobre minerais críticos durante a feira.
O embaixador destacou que a participação brasileira sinaliza a presença do multilateralismo e a busca por cooperação com a Europa, em um contexto de acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia.
Acabando de consolidar acordos e parcerias
O Senado brasileiro já aprovou, no início de março, os termos do acordo de livre comércio entre Mercosul e UE. O bloco continental envolve Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A Comissão Europeia aprovou provisoriamente o tratado, com mudanças em tarifas.
A conclusão do acordo, assinado em janeiro, ocorre em meio a tensões comerciais de outros países, como os EUA, que adotaram tarifas diversas. O comércio entre Brasil e Alemanha somou cerca de US$ 20,9 bilhões em 2025, com déficit na balança brasileira.
Brasil e Alemanha
A Alemanha figura entre os principais parceiros, com forte presença de investimento e de empresas no Brasil. Baena Soares enfatizou a complementaridade entre os dois países, destacando a estabilidade regulatória brasileira, a matriz energética limpa e a capacidade industrial.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o intercâmbio bilateral atingiu US$ 20,9 bilhões em 2025, com déficit brasileiro. A Alemanha é o terceiro maior fornecedor ao Brasil e o décimo maior comprador, além de ser grande investidor no Brasil.
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