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Itamaraty discute com EUA classificação de facções brasileiras como terroristas

Itamaraty discute com EUA a classificação de PCC e CV como Organizações Terroristas Estrangeiras, com potenciais impactos em sanções e combate ao narcotráfico

Ministro Mauro Vieira foi recebido no Departamento de Estado dos Estados Unidos, para reunião com o Secretário Marco Rubio. (Foto: Divulgação/MRE)
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  • O chanceler Mauro Vieira discutiu com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO).
  • A conversa ocorreu em telefonema na noite de domingo (8) e ocorre enquanto há articulações para a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington.
  • Diplomatas brasileiros, em tom reservado, avaliam que a designação poderia abrir espaço para medidas mais duras dos Estados Unidos no combate ao narcotráfico na América Latina.
  • Nos Estados Unidos, fontes próximas ao governo de Donald Trump dizem que Rubio defende a proposta e que o tema deve ser encaminhado ao Congresso para ratificação nos próximos dias.
  • A notícia também destaca o precedente na Venezuela, com a designação do Cartel de los Soles e desdobramentos envolvendo o ex-presidente Nicolás Maduro.

O Itamaraty informou que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, discutiu com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). A conversa ocorreu por telefone na noite de domingo, 8, e se insere no contexto de negociações para a visita do presidente Lula a Washington, onde deve se encontrar com Donald Trump.

Diplomatas brasileiros, em tom reservado, avaliam que a designação poderia abrir espaço para medidas mais duras por parte dos EUA no combate ao narcotráfico na região. As informações refletem o peso político do tema e o impacto que uma decisão desse tipo pode ter na cooperação bilateral.

Nos EUA, fontes ligadas ao governo de Trump indicaram que a proposta é defendida por Rubio e já estaria em estádio adiantado. A expectativa é encaminhar o tema ao Congresso nos próximos dias para apreciação e eventual aprovação.

A Gazeta do Povo consultou o Ministério das Relações Exteriores para obter detalhes sobre o conteúdo da conversa e a possível agenda de Lula em Washington. Até o momento, o Itamaraty não respondeu aos questionamentos.

O que muda com a classificação

A designação de FTO exige três critérios: ser uma organização estrangeira, envolvimento em atividade terrorista ou demonstração de capacidade e intenção, e ameaça à segurança dos EUA. A prática permite criminalizar o apoio material, bloquear ativos e impor sanções, restrições de visto e deportação.

A designação também altera o tratamento jurídico de integrantes e recursos ligados à organização, ampliando medidas de cooperação entre agências, Justiça e Defesa. O status de FTO facilita ações coordenadas contra redes criminosas transnacionais.

Precedente na Venezuela

O debate ganhou impulso após ações contra grupos ligados ao narcotráfico na região. Em novembro, a administração Trump classificou o Cartel de los Soles como terrorista, alegando liderança associada a autoridades venezuelanas, o que motivou operações militares e desdobramentos judiciais.

Maduro enfrentou medidas subsequentes, incluindo acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas em tribunais norte-americanos. O cenário atual aproxima-se de discussões sobre novas designações envolvendo facções brasileiras.

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