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Drones kamikazes no Haiti: 1.243 mortos em plano de Fils-Aimé

HRW aponta 1.243 mortos, incluindo 17 crianças, em ataques com drones no Haiti; operação não atingiu líderes de gangues e deixou vítimas civis.

Funeral colectivo por personas asesinadas en un ataque con drones, en Puerto Príncipe, Haití, el 4 de octubre de 2025.
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  • A Human Rights Watch estima que, entre 1 de março de 2025 e 21 de janeiro de 2026, ocorreram 141 ataques com drones kamikazes em Port-au-Prince, resultando em 1.243 mortos (incluindo 17 crianças e 43 adultos não membros de gangues) e 738 feridos (49 não membros).
  • Em 20 de setembro de 2025, durante uma operação em Simon Pelé, ao menos 10 pessoas morreram, incluindo 8 menores; nenhum líder de gangue foi abatido nem detido nessa ação.
  • Os drones são usados por uma Força-Tarefa Especializada criada pelo primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, com apoio da empresa privada Vectus Global, que contratou operadores salvadorenhos para apoiar a polícia haitiana.
  • HRW aponta que, fora de um contexto de conflito armado, mortes por drones podem configurar execuções extrajudiciais deliberadas, levantando preocupações sobre a proteção de civis e a confiança da população nas autoridades.
  • A operação é alvo de críticas de organizações de direitos humanos e da ONU, que pedem controle efetivo das forças de segurança e de contratistas privados, além de reforço do sistema judicial para tratar de pandilhas.

Drones kamikazes estariam por trás de um ataque em Puerto Príncipe, Haiti, que deixou dezenas de mortos entre crianças e adultos. O relatório de Human Rights Watch (HRW) aponta que o episódio ocorreu durante uma festa no bairro Simon Pelé, na noite de 20 de setembro de 2025, quando drones do governo teriam mirado membros de facções criminosas, sem atingir nenhum líder da pandilha.

O incidente resultou na morte de ao menos 10 pessoas, oito delas menores de idade. Entre as vítimas estavam uma menina de três anos e um artesão que trabalhava ao ar livre. Outros sofreram ferimentos graves, com diversos pacientes perdendo membros. Não houve detenção ou abatimento de líderes de gangues durante a operação.

Entre os detalhes divulgados, constam relatos de famílias que perderam parentes em meio à comemoração de aniversário. Profissionais de saúde reforçam que muitos feridos tiveram sequelas impossíveis de reverter, com elevada severidade de lesões.

Contexto e números oficiais

De acordo com HRW, entre 1 de março de 2025 e 21 de janeiro de 2026 foram registrados 141 ataques com drones no território haitiano. No período, 1.243 pessoas teriam sido mortas, incluindo 43 adultos não vinculados a grupos criminosos e 17 crianças. Outras 738 ficaram feridas, com 49 não pertencentes a gangues entre as vítimas.

A ONU no Haiti atribui os ataques à Task Force criada pelo primeiro ministro Alix Didier Fils-Aimé, com apoio de contratistas privados. A empresa Vectus Global confirmou ter firmado contrato com o governo para atuação de operadores no uso de drones armados, vinculados à atuação policial.

Reações de especialistas e chamadas à responsabilidade

A advogada Juanita Goebertus, da HRW, classifica a utilização de drones em contexto sem conflito armado como potencial execução extrajudicial. A pesquisadora destaca que medidas assim elevam o risco de violência contra civis e prejudicam a confiança da população nas autoridades.

Para HRW, as operações devem respeitar o direito internacional e buscar, sempre que possível, estratégias que protejam a população civil. Dados indicam que, apesar de o governo justificar as ações como forma de reduzir a violência, não houve confirmação de abatimento de líderes de gangues nesses ataques.

Perspectivas de segurança e justiça

A repressão violenta às gangues brasileiras no Haiti não substitui a necessidade de fortalecer o sistema judicial. Especialistas destacam que, sem procedimentos legais e responsabilização, a confiança da população não é restabelecida, o que dificulta a pacificação do país.

O governo haitiano não confirmou detalhes sobre as vítimas nem abriu canais oficiais de reparação. Familiares de vítimas relatam ausência de contato com autoridades e de acesso a justiça ou compensações. A situação humanitária segue crítica em várias regiões do país.

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