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BRICS Enfrenta a Realidade na Guerra no Oriente Médio

BRICS não emite posição comum no conflito no Golfo Pérsico; a divisão entre membros expõe limites da solidariedade transnacional frente a interesses nacionais

Chinese Premier Li Qiang talks with Indian Prime Minister Narendra Modi at the BRICS summit in Rio de Janeiro, Brazil, on July 7, 2025.
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  • Duas semanas após o início da war no Golfo Pérsico, BRICS ainda não emitiu uma declaração conjunta sobre o conflito.
  • A falta de posição reflete não só interesses diferentes entre membros, mas a própria estrutura do grupo, que já mostrou fragilidades para apoiar Rússia e para responder a ações de EUA e Israel.
  • Alguns membros mantêm relações próximas aos Estados Unidos, enquanto outros, como a Índia, têm laços com Israel, dificultando uma resposta comum.
  • Histórica tendência mostra que movimentos transnacionais—pan‑asiatismo, pan‑árabe, Comintern, entre outros—têm dificuldade de sustentar solidariedade diante de interesses nacionais conflitantes.
  • O BRICS segue caminho similar: o grupo permanece mais alinhado a interesses nacionais do que a uma estratégia conjunta, com a Índia buscando proteger rotas comerciais indianas no estreito de Hormuz.

O BRICS ainda não divulgou uma posição conjunta sobre o conflito no Oriente Médio, duas semanas após a retomada da guerra no Golfo Pérsico. O grupo permanece dividido entre membros que mantêm vínculos com Washington e outros com laços mais próximos a Israel. A ausência de consenso acompanha a escalada entre EUA, Israel e Irã.

A reportagem aponta que o problema não é apenas de relações bilionárias individuais, mas estrutural. Iran e os monarquias do Golfo, entre eles os Emirados Árabes Unidos, mantêm rivalidade histórica que dificulta qualquer alinhamento comum dentro do BRICS. O bloco tende a favorecer declarações genéricas em vez de decisões sobre crises.

A liderança do BRICS está com a Índia neste momento. Ainda assim, qualquer declaração aceitável a Teerã e a Abu Dhabi tende a soar pouco relevante diante de ataques e retaliações em curso. Analistas lembram que a política de cada país tem peso decisivo no tom do grupo.

Historicamente, movimentos que defendem solidariedade transnacional enfrentam o teste da prática frente a interesses nacionais. Comissões internacionais, pan-ideologias e blocos regionais repetiram o mesmo padrão: quando a crise chega, a cooperação tende a recuar diante de interesses nacionais.

Em termos históricos, exemplos como o Comintern, pan-Asianismo e pan-Arabismo mostram que a solidariedade costuma se fragmentar durante conflitos reais. A dinâmica entre Washington, Teerã e Riad ilustra uma tendência de priorizar objetivos nacionais sobre uma coalizão regional.

Especialistas sugerem que a natureza do BRICS favorece ações de cooperação mais genéricas do que respostas coordenadas a crises específicas. Mesmo com declarações, o impacto prático tende a ser limitado, diante da necessidade de decisões políticas entre membros.

No cenário atual, o BRICS aparece mais como observador do que ator decisivo nas operações militares. Enquanto o conflito prossegue, a Índia tem buscado manter a segurança de navegação do estreito de Hormuz, função crucial para o comércio do país.

As lições citadas referem-se a padrões históricos de solidariedade falha em blocos regionais e internacionais. Transformações neste quadro dependeriam de mudanças substanciais na percepção de interesses nacionais frente a objetivos coletivos.

O texto ressalta ainda que organizações como a OMC, ASEAN e a Liga Árabe já enfrentaram desafios de coordenação. Mesmo com vocabulários de cooperação, ações conjunta costumam ficar aquém da retórica, principalmente em crises graves.

O artigo conclui que, no estado atual, o BRICS permanece como um conjunto de estados soberanos. A leitura aponta que a cooperação transnacional, embora desejável, não substitui a tomada de decisões nacionais estratégicas em momentos de conflito.

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