- A alta representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, afirma que não há interesse dos países da UE em retornar ao “business as usual” com a Rússia, à medida que os preços de energia sobem após a guerra entre EUA e Israel contra o Irã.
- A UE também destacou a imprevisibilidade dos Estados Unidos sob o presidente Donald Trump e defende uso da diplomacia para manter o Estreito de Hormuz aberto, evitando crises de alimentos, fertilizantes e energia.
- Sobre a guerra entre EUA e Israel contra o Irã, a UE disse que não foi consultada e que muitos europeus tentaram dissuadir os EUA e Israel de começar o conflito.
- Em relação aos laços com os EUA, a UE diz que é aliada, mas que nem sempre entende os movimentos recentes; há interesse em investir na parceria transatlântica, desde que haja consulta.
- Quanto à normalização das relações com a Rússia, não há apetite; é essencial definir o que se quer conversar antes de retomar o diálogo, para não ampliar conflitos.
Kaja Kallas, chefe da Política Externa da UE, afirmou a Reuters que não há apetite entre os países do bloco para retomar o “business as usual” com a Rússia, diante da alta de preços de energia provocada pelo conflito EUA-Israel com o Irã. A entrevista é de Bruxelas, 17 de março.
A responsável pela diplomacia europeia destacou que a UE já considera a imprevisibilidade dos Estados Unidos sob nova gestão e defendeu o uso de vias diplomáticas para manter abertas vias estratégicas, como o Estreito de Hormuz, para evitar crises globais de alimentos, fertilizantes e energia.
SOBRE a guerra EUA-Israel com o Irã
Kallas disse que houve discussões, e a principal preocupação dos países europeus é não ter sido consultada para o início do confronto, com vários europeus tentando persuadir EUA e Israel a evitar o conflito.
SOBRE as relações com a OTAN e o Estreito de Hormuz
Ela afirmou que não há pressa para mudar o mandato da operação na região, uma vez que o Mar Vermelho continua estratégico. Países-membros não estão dispostos a colocar pessoas em risco no Estreito de Hormuz, e busca-se meios diplomáticos para evitar crises.
SOBRE a relação UE-EUA
A chefe europeia disse que a aliança é necessária, mas as ações recentes dos EUA têm gerado incompreensão na UE. A União quer aprofundar a parceria transatlântica, desde que haja consulta e diálogo sobre temas comuns e cooperação.
SOBRE a imprevisibilidade dos EUA
Kallas ressaltou que, após um ano, fica claro o peso da imprevisibilidade. A UE pretende atuar com mais cautela, esperando eventos incertos, mantendo foco e tranquilidade para administrar crises.
SOBRE a normalização das relações com a Rússia
Ela afirmou não haver apetite para retornar ao cenário anterior. Ao falar com Moscou, a UE quer definir claramente os temas de conversa e evitar que o país obtenha ganhos com uma retomada de negócios, o que exigiria vigilância constante.
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