- Um míssil iraniano causou danos extensos nas instalações do hub industrial de Ras Laffan, no Qatar, responsável por cerca de 20% de todo o gás natural exportado no mundo.
- A produção já havia sido interrompida no início do mês, e o ataque de hoje eleva as incertezas sobre a retomada.
- Diversas instalações relevantes de óleo e gás na região foram danificadas recentemente; na Arábia Saudita, a refinaria de Ras Tanura teve produção paralisada por drones e retomou parcialmente.
- A recuperação plena deve levar de 8 a 12 semanas, e os estoques estão próximos do limite, o que pode exigir redução na extração.
- Até que haja normalização nos fluxos pelo estreito de Ormuz, a Goldman Sachs aponta riscos de preços mais elevados e impacto na demanda global; estima-se que a normalização ocorra até o fim de abril.
O hub industrial de Ras Laffan, no Qatar, sofreu danos extensos após um ataque com míssil vindo do Irã, segundo relatos de autoridades e analistas. O incidente afetou instalações responsáveis por cerca de 20% das exportações globais de gás natural, interrompendo a produção já no início do mês e elevando as incertezas sobre a retomada.
A planta de gás natural no Qatar permanece sem funcionamento em parte do seu parque de operações, com danos que ampliam o desafio de manter o abastecimento global. Diversas instalações de óleo e gás na região já haviam sido afetadas nas duas semanas anteriores, elevando a preocupação com a continuidade da oferta.
Análise de impacto
A Arábia Saudita também registrou interrupções significativas após um ataque com drones à refinaria de Ras Tanura, que parou por duas semanas. A retomada parcial ocorreu recentemente, com a capacidade em torno de metade do total. Estimativas indicam recuperação de 8 a 12 semanas para normalizar completamente.
Analistas apontam que, caso não ocorram novos incidentes, a indústria regional pode levar meses para recuperar o nível de produção pré-crise. Em 2019, a refinaria de Abqaib precisou de seis meses para restabelecer a carga máxima após um ataque semelhante.
Cenário regional e logística
Vários focos de preocupação persistem, incluindo a capacidade de armazenamento, que chegou perto do limite em muitos países produtores. A redução de extração é uma consequência provável até a normalização do abastecimento.
Antes do conflito, o Estreito de Ormuz movimentava cerca de 15 milhões de barris/dia de petróleo cru e 5,5 milhões de barris/dia de derivados. Com o atual cenário, estima-se que passem pelo estreito apenas 1 milhão de barris/dia de petróleo e 500 mil barris/dia de derivados, segundo projeções de mercado.
Rotas alternativas e recuperação
A Arábia Saudita ativou uma rota alternativa, com um oleoduto de 1.200 quilômetros até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, elevando o fluxo para até 4,2 milhões de barris/dia. Antes da crise, o país exportava cerca de 7 milhões de barris/dia.
Analistas da Goldman Sachs veem normalização parcial dos fluxos pelo Estreito de Ormuz até o fim de abril. A visão é de que a persistência de riscos pode sustentar altas de preços e reacender preocupações com o crescimento global e a inflação.
Situação do Irã
As instalações do Irã, incluindo a refinaria de Teerã com capacidade de 900 mil bpd, também sofreram impactos. Segundo o analista Giacomo Prandelli, o Irã tem exportado aproximadamente 1,1 milhão de barris/dia, em grande parte para a China, abaixo de 2,12 milhões antes do conflito.
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