- Em Manomapia, no sudeste da República Democrática do Congo, moradores relataram problemas de saúde após a operação de um complexo de cobre e cobalto próximo de suas casas.
- O empreendimento é de Tenke Fungurume Mining (TFM), subsidiária chinesa da CMOC, e o processamento conhecido como “30K plant” tem capacidade de 30.000 toneladas por dia.
- Segundo a Environmental Investigation Agency (EIA), o 30K começou a operar em 2023 e houve aumento significativo de casos respiratórios graves e hepatite mãe, incluindo relatos de um bebê que morreu após vômitos com sangue.
- Medições de qualidade do ar indicaram níveis de dióxido de enxofre (SO₂) muito acima dos limites considerados seguros por organizações como a Organização Mundial da Saúde.
- A TFM afirmou que suas emissões estão dentro de limites seguros e não há evidência de relação causal entre a doença e a operação do 30K; especialistas indicam que as condições de mineração precisam de adequação para evitar impactos à saúde.
Um estudo e relatos de moradores associam a operação de um grande complexo de processamento de cobre e cobalto, no sudeste da República Democrática do Congo, a problemas de saúde em crianças e adultos próximos ao local. A instalação, informada como a de maior porte da região, entrou em funcionamento em 2023.
A empresa Tenke Fungurume Mining (TFM), filial congolesa da CMOC, é responsável pela planta conhecida como 30K, capaz de processar 30 mil toneladas de minério por dia. A área afetada fica a apenas alguns centenas de metros de comunidades como Manomapia.
Segundo a Environmental Investigation Agency (EIA), relatos de moradores indicam sintomas graves de saúde desde a inauguração da 30K, incluindo vômitos com sangue. A ONG aponta aumento de doenças respiratórias e complicações maternas na região.
Dados de monitoramento de qualidade do ar, feito pela EIA e analisado por especialistas independentes, apontam concentrações de dióxido de enxofre (SO2) acima de limites considerados seguros por organizações internacionais. Os eventos teriam início com a operação plena da planta em 2023.
TFM afirmou, por meio de carta à EIA, que as emissões permanecem dentro de limites seguros e não há evidência de relação causal entre a doença apresentada pela criança e as operações da 30K. A empresa não respondeu a questionamentos até o fechamento deste texto.
Especialistas independentes destacam que o sulfóxido de enxofre pode irritar olhos, vias respiratórias e pele, com relatos de casos graves em exposições agudas. Médicos e pesquisadores defendem avaliação mais rigorosa das condições de mineração na região.
Emissões, impactos e respostas
Pesquisadores do IRD, em França, afirmam que as condições de extração de minerais precisam acompanhar padrões de segurança adequados. O alerta aponta para a necessidade de padrões mínimos que assegurem condições mínimas de higiene e segurança.
A matéria envolve também a pauta econômica, já que o complexo mira exportar volumes significativos de cobre para mercados internacionais. A discussão envolve equilíbrio entre desenvolvimento industrial e proteção ambiental e da saúde pública.
Fontes consultadas destacam que a situação exige verificações independentes adicionais, com transparência sobre dados de qualidade do ar, adicionalmente a estudos epidemiológicos para entender possíveis vínculos entre a operação da planta e incidentes de saúde na população local.
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