- Salam Issa Rida e centenas de famílias vivem no Camille Chamoun Stadium, usado como centro de deslocados em Beirute, devido a ataques israelenses ao sul.
- As forças de Israel emitiram nova mensagem de evacuação, orientando moradores a deixarem as áreas, com ataques iminentes declarados.
- Durante oRamadan, muitos deslocados continuam jejuando ao nascer do sol e quebram o jejum ao pôr do sol, recebendo assistência em tendas e centros de apoio.
- Muitos não conseguem retornar às casas; aluguel é difícil e proprietários hesitam em receber famílias deslocadas por temores de ataques.
- A situação afeta tradições e momentos familiares, com relatos de perdas e separações, incluindo memórias de familiares falecidos e dificuldade de manter rituais.
Salam Issa Rida, mãe de seis filhos, acende o fogão de camping para preparar frango marinado na tentativa de quebrar o jejum durante o Ramadan. A prioridade é alimentar a família, mesmo em meio ao risco.
Mais cedo, a mulher retornou ao entanto de Beirut, nos subúrbios do sul, área declarada zona de exclusão por Israel e alvo de bombardeios. Na véspera, o Exército israelense ordenou evacuação imediata por meio de uma mensagem na X, anunciando ataque iminente.
A família se abrigou no Camille Chamoun Stadium, o maior complexo esportivo da cidade, que hoje recebe centenas de deslocados. Em Beirute, casas de famílias são substituídas por abrigos improvisados, com ajuda de organizações humanitárias.
Contexto do deslocamento
Os deslocados celebram o Ramadan com o mínimo para manter a tradição, iniciando o jejum ao nascer o sol e quebrando ao pôr do sol. No entanto, os frequentes ataques aéreos e as ordens de deixar casa mudaram o ritmo das atividades.
Outra família deslocada recorda a vida em Meiss al-Jabal, cidade alvo de ataques. Antes, reuniões de família para o iftar eram comuns, com mesas farta e chá quente. Agora, vivem em abrigos escolares em Beirute.
A chuva e a falta de moradia estável complicam as condições. Muitos não conseguem alugar apartamento, e proprietários evitam receber muçulmanos xiitas entre deslocados, por temer represálias.
Impacto humano
Salam divide o tempo entre cozinhar, proteger as crianças e planejar viagens arriscadas de volta à casa ainda em pé. Há relatos de medo constante de novos ataques, especialmente quando a família depende de janelas de trégua para retornar ao lar.
O marido de Salam, Ahmed, está em cadeira de rodas e aponta que o Ramadan deste ano traz sacrifícios maiores. O casal afirma que a prática religiosa ficou comprometida pela distância entre a vida cotidiana e a segurança.
Parentes e vizinhos em situação similar sofrem com a ausência de encontros tradicionais, como visitas a familiares depois do iftar e, ao fim do Ramadan, celebração do Eid. A região continua sob tensão, com confrontos entre forças locais e elementos externos.
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