- O texto revisita o golpe de 1964 no Brasil e o papel de autoridades dos EUA na época, destacando divergências internas em Washington sobre a melhor forma de influenciar o país.
- Hoje, alas radicais do governo de Donald Trump tentam retomar a influência na região, buscando apoiar candidatos pró-EUA nas eleições de outubro e usar a CIA para localizações estratégicas.
- Países da região são mencionados como objetivos ou afetados por pressões americanas, com ações que vão desde o sequestro de líderes a restrições econômicas e cooperação militar.
- No Brasil, há relatos de gestos de recuo de Washington após pressões e mediações com o Itamaraty, enquanto a tensão entre o governo Lula e setores da ala bolsonarista persiste.
- Pergunta central: a atual ofensiva representa uma política consolidada de Trump ou é uma estratégia momentânea de grupos próximos a Marco Rubio para influenciar o Brasil e a região?
Dias após o golpe de 1964 no Brasil, o embaixador dos EUA, Lincoln Gordon, informou a Casa Branca sobre os desdobramentos da ruptura democrática abaixo da linha do Equador. Em Washington, reuniu-se com Bobby Kennedy, que expressou alívio com a mudança.
Kennedy reclamou que Goulart não atendeu aos conselhos recebidos para alterar a direção de seu governo. Segundo relatos, Kennedy lamentou: Goulart teve o que merecia, mas não seguiu o aconselhamento de Washington.
A disputa interna em Washington sobre o caminho a seguir refletia diferentes alas do governo. Historiadores apontam que o destino do Brasil esteve na agenda do Salão Oval desde 1962, com intensificação de conversas estratégicas ao longo de 1963. Kennedy tentou influenciar o governo brasileiro.
No Palácio da Alvorada, em 18 de dezembro de 1963, Bobby Kennedy reuniu-se três vezes com Goulart. As queixas se concentraram em suspeitas de colaboradores pró-comunistas e oposição a projetos que atendiam aos interesses norte-americanos. A resposta brasileira foi detalhada e firme.
> Anos depois, a direita dos EUA oferece outra linha de ação
Mais de seis décadas depois, as alas mais radicais do governo de Donald Trump resgatam a ideia de ingerência direta na política brasileira. Documentos oficiais indicam que Washington busca eleger um candidato alinhado aos seus interesses para as eleições de outubro, com o uso de canais oficiais e de cooperação com a CIA.
Caso Venezuela e outros países da região são citados como exemplos de atuação norte-americana para consolidar influência na região. Autoridades brasileiras descrevem a estratégia como tentativa de retomar hegemonia no Hemisfério, com o objetivo de frear ganhos de potências concorrentes.
Reformulações da relação
Entre diplomatas, a avaliação é que a química entre Brasília e a Casa Branca não garante soberania autônoma. A ideia de interferência nas eleições persiste como tema sensível, segundo relatos de fontes brasileiras. A gestão Lula encara a possibilidade de novas pressões para moldar o cenário político.
No início de 2025, o tema ganhou contornos práticos com ações ligadas a classes políticas associadas aos bolsonaristas. Houve tentativas de pressionar o Brasil, inclusive por meio de propostas de classificação de facções criminosas. As medidas provocaram reação de Brasília e ajustes na cooperação bilateral.
O governo Lula enfatizou que visitas de representantes de países estrangeiros não são proibidas, mas criticou procedimentos considerados provocativos. A revogação de um visto concedido a um funcionário ligado a Washington elevou ainda mais o tom do embate diplomático.
Cenário atual e possibilidades futuras
Ao que tudo indica, o debate sobre uma eventual cooperação mais estreita entre EUA e Brasil permanece aberto. Analistas apontam que disputas entre ala ideológica e pragmática em Washington moldam as ações no Itamaraty e no Planalto.
Enquanto isso, autoridades brasileiras observam novas possibilidades de pressão sobre a eleição, incluindo uma maior cooperação entre empresas de tecnologia e movimentos de extrema-direita dos EUA. Observadores sugerem cautela diante de novos desdobramentos regionais.
A ideia de ampliar a influência norte-americana na região continua sendo tema de debates internos nos EUA. Em Brasília, diplomatas ressaltam a importância de manter canais de diálogo estáveis, sem abrir espaço a ações que comprometam a soberania brasileira.
Entre na conversa da comunidade