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Suécia financia entidade ligada à nora de Bolsonaro pela extrema direita

Dinheiro da cooperação sueca financia entidade ligada a Heloísa Bolsonaro, em parceria com grupo de direita, sob classificação de risco extremo pela Sida

Eduardo e Heloisa Bolsonaro. Foto: Reprodução
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  • A reportagem do jornal sueco Dagens Nyheter mostra que parte de verbas públicas voltadas à promoção da democracia no exterior foi destinada a uma organização brasileira presidida por Heloísa Bolsonaro.
  • A instituição é o Institute for Conservative Action (IAC), registrada em São Paulo e parceira da Hepatica, ligada aos Democratas da Suécia, partido de direita.
  • Este ano, a Hepatica receberá 23 milhões de coroas suecas (aproximadamente 12 milhões de reais) para cooperação; a agência Sida classificou os riscos da operação como extremos.
  • O IAC diz buscar influenciar a sociedade e a legislação em direção conservadora, defendendo vida desde a fecundação, família natural e combate à sexualização e à doutrinação nas escolas; planeja formar 350 jovens líderes com valores democráticos conservadores.
  • A Sida afirma que contratos obrigam parceiros a não usar os recursos por atores que comprometam direitos de meninas e mulheres, podendo reduzir repasses, bloquear pagamentos ou exigir a devolução; transparência sobre o destino final dos recursos é alvo de questionamento.

No âmbito da cooperação internacional da Suécia, parte de recursos destinados ao fortalecimento da democracia no exterior estão sob escrutínio. Uma reportagem do jornal sueco Dagens Nyheter aponta que verba da agência Sida está chegando a uma organização brasileira presidida por Heloísa Bolsonaro, nora do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A entidade é o Institute for Conservative Action (IAC), registrada em São Paulo e parceira da Hepatica, ligada aos Democratas da Suécia (SD), grupo de direita no país. Segundo a reportagem, a Hepatica receberá neste ano 23 milhões de coroas suecas, cerca de 12 milhões de reais, em recursos de cooperação.

O IAC se apresenta como defensora da vida desde a fecundação, da família natural e do combate à sexualização e à doutrinação nas escolas, propostas associadas ao avanço de uma agenda conservadora. A parceria prevê a formação de 350 jovens líderes em princípios democráticos, com base em valores conservadores.

A Hepatica afirmou ao jornal que o mérito das posições do IAC não seria o foco, ressaltando apenas o cumprimento formal dos objetivos do projeto. A Sida, por sua vez, informou que contratos desse tipo obrigam os parceiros a evitar uso indevido dos recursos que possa comprometer direitos de meninas e mulheres.

A agência sueca agregou que pode reduzir repasses, bloquear pagamentos ou exigir a devolução de recursos caso haja violação de regras por parte dos parceiros. Em meio ao debate, a transparência sobre o destino de parte dos recursos de cooperação permanece uma questão central no país.

Na prática, parte dos recursos de cooperação internacional na Suécia é distribuída por meio de organizações associadas a partidos políticos, o que complica a rastreabilidade do destino final de esses aportes. O caso amplia a discussão sobre os mecanismos de fiscalização e accountability nessas operações.

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