- Nos anos 1980, sob Ronald Reagan, os EUA passaram a certificar países no combate ao narcotráfico e a cassar vistos de chefes de Estado que não cooperassem, aumentando a pressão diplomática.
- Em 1996, sob Bill Clinton, o visto do então presidente colombiano Ernesto Samper foi revogado por suspeita de financiamento do cartel de Cali, demonstrando influência externa na política interna da Colômbia.
- Em 2019, o segundo sargento Manoel Silva Rodrigues foi preso na Espanha com quase quarenta quilos de cocaína em bagagens de uma aeronave da Força Aérea Brasileira, envolvendo a rota presidencial.
- O século passado também teve invasões dos EUA, como a ao Panamá, para conter o narcotráfico, após denúncias de uso do país por traficantes ligados a colombianos.
- Hoje, o governo dos EUA, sob Donald Trump, classifica cartéis mexicanos e o Tren de Aragua como narcoterroristas, oferece recompensas de até 12 milhões de dólares, e aponta atuação do grupo venezuelano também no Brasil. Revelações indicam forte presença do Tren de Aragua no Sul do país e cooperação com facções locais.
Nos últimos anos, a guerra contra as drogas nos Estados Unidos voltou a ganhar contornos de segurança nacional, com políticas que miram a América Latina. O tema envolve décadas de ações que cruzam presidências e governos, sempre sob a justificativa de reduzir o tráfico e proteger o território americano.
A discussão compreende desde medidas adotadas na gestão de Richard Nixon, no final dos anos 60, até ações mais recentes sob Donald Trump. Históricos de décadas passadas mostram uma continuidade de estratégias que também impactaram governos na região.
Em 1986, o governo Reagan começou a certificar países pelo desempenho no combate ao narcotráfico, inclusive cassando vistos de presidentes. A prática passou a fazer parte da diplomacia antidrogas, com consequências políticas para países parceiros.
Do passado ao presente
Especialistas destacam que a retroalimentação entre políticas americanas e ações regionais marcou períodos como a relação com a Colômbia na década de 1980, quando autoridades estaduais e federais atuaram em conjunto contra cartéis. A pressão diplomática tinha peso.
No caso da Colômbia, a cooperação com Washington evoluiu para um combate que envolveu acusações de financiamento de campanhas e sanções de vistos, ainda que reconheça diferentes conjunturas políticas locais.
Atualidade e novos atores
No governo de Donald Trump, cartéis mexicanos, como Jalisco Nova Geração e Sinaloa, passaram a ser classificados como narcoterroristas, com desdobramentos de intervenção regional. O Tren de Aragua, grupo venezuelano, também figura como alvo das autoridades americanas.
Informações de fontes na Abin indicam atuação ampliada de criminosos mexicanos no Brasil, especialmente pela fronteira com o Paraguai. Simultaneamente, o Tren de Aragua mantém presença no Norte e Sul do Brasil, com cooperação armamentista e fluxos de armas.
Lideranças e incentivos
Entre os nomes cotados, Hector Rusthenford Guerrero Flores, o Niño Guerrero, é descrito como líder do Tren de Aragua, com ações há mais de duas décadas. O Departamento de Tesouro dos EUA oferece recompensa de 5 milhões de dólares por informações sobre ele.
Outros aliados citados incluem Johan Petrica, responsável por atividades de mineração ilegal e abastecimento de armas, e Giovanni Vicente Mosquera Serrano, listado entre os procurados pelo FBI por diversas acusações.
Dados recentes
Relatório dos EUA aponta apreensões de fentanyl superiores a 5 milhões de comprimidos em 2026 e quase 700 mil comprimidos de metanfetamina. As cifras demonstram que a guerra às drogas permanece ativa e sem perspectivas de encerramento imediato.
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