- A China importou 15,8% a mais de petróleo nos dois primeiros meses de 2026 frente ao mesmo período de 2025, segundo a Administração Geral de Alfândegas.
- A alta ocorre em meio à queda na demanda interna por petróleo, e pouco antes do início da war no Irã, que bloqueou o estreito de Ormuz em 28 de fevereiro.
- O estoque chinês de petróleo é estimado entre 1,1 bilhão e 1,3 bilhão de barris, conforme levantamento do Instituto de Oxford para Estudos de Energia; o governo não divulga o volume oficial.
- O impacto global incluiu o barril acima de US$ 100, com países dependentes de Ormuz recorrendo a estoques para manter fornecimento.
- Índia, Japão e Coreia do Sul já tomaram medidas para driblar a instabilidade: Índia aumentou compras de petróleo russo; Japão e Coreia do Sul liberaram parte de seus estoques para atender à demanda interna.
A China aumentou suas importações de petróleo nos dois primeiros meses de 2026, registrando crescimento de 15,8% ante o mesmo período de 2025. O dado foi divulgado pela Administração Geral de Alfândegas da China em 10 de março e ocorre em meio a uma demanda doméstica debilitada.
O universo de estoque de petróleo do país, estimado entre 1,1 bilhão e 1,3 bilhão de barris por análises independentes, reforça a estratégia de manter reservas para antever choques no mercado global. O valor exato permanece sigiloso segundo fontes oficiais.
A ofensiva liderada por Estados Unidos e Israel, iniciada em 28 de fevereiro, bloqueou o estreito de Ormuz, uma rota crucial de petróleo. O movimento provocou alta rápida dos preços globais e elevou a pressão sobre economias dependentes dessa rota.
Contexto internacional
Especialistas apontam que a demanda chinesa por petróleo atingiu picos em 2023, mas o país manteve o ritmo de abastecimento para constituir seu parque de estoques. O monitoramento do Instituto de Oxford para Estudos de Energia estima 1,1–1,3 bilhão de barris no volume chinês, com variações entre 1,1 e 1,4 bilhão.
A depender de cenários de ruptura, a China conseguiria manter o suprimento por cerca de 120 dias se interrompesse as importações. Outros grandes consumidores, como Índia e Japão, também ajustam estratégias de estoque diante do conflito no Golfo Pérsico.
Repercussões regionais
A Índia, que importa cerca de 80% de sua demanda, enfrenta uma vulnerabilidade maior, com metade do abastecimento vindo do Oriente Médio. O país tem recorrido a aquisições de petróleo russo, que registraram aumento de cerca de 50% em março frente a fevereiro.
Japão e Coreia do Sul já anunciaram ações para conter a instabilidade. O Japão liberou para o mercado 80 milhões de barris na semana passada, enquanto a Coreia do Sul liberou 22 milhões de barris do seu estoque para consumo interno.
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