- O coordenador de contra-terrorismo da UE, Bartjan Wegter, alerta que crianças de apenas 12 a 20 anos estão sendo alvo de radicalização online na Europa.
- Estudos indicam que jovens passam entre cinco e oito horas diárias nas redes sociais, onde ocorre a radicalização e recrutamento, muitas vezes sem encontros presenciais.
- Segundo o relatório de situação e tendências do terrorismo da União Europeia de 2025, 449 pessoas foram presas por crimes relacionados ao terrorismo em 2024, e 133 tinham entre 12 e 20 anos; o mais jovem tinha 12 anos.
- Wegter afirma que o jihadismo continua sendo a maior ameaça, com o grupo Estado Islâmico adaptando táticas e recrutando dentro da UE.
- Além disso, há crescimento do extremismo violento de direita e de esquerda online, com comunidades que promovem uma “ideologia de salada” e violência nihilista.
Bartjan Wegter, coordenador de contra-terrorismo da UE, alertou Euronews sobre o risco de radicalização online entre adolescentes na Europa. Segundo ele, crianças a partir de 12 anos já aparecem em casos de recrutamento. A tendência preocupa autoridades de segurança.
Para Wegter, a radicalização é mais comum entre jovens de 12 a 20 anos. Ele descreve que o processo pode ocorrer em semanas e muitas vezes envolve atividades criminais online, mesmo sem antecedentes criminais anteriores.
Os dados apontam que jovens passam entre cinco e oito horas diárias nas redes sociais, onde grande parte da radicalização ocorre sem encontros presenciais. A fiscalização enfrenta dificuldades para atuar nesses ambientes.
A cooperação entre autoridades, plataformas digitais e setores da indústria é destacada como fundamental. A ideia é compartilhar boas práticas, dados e monitorar o ambiente online, onde grande parte da radicalização acontece.
Tendência de radicalização online
Relatórios de Europol indicam aumento no envolvimento de menores em comportamentos ligados ao terrorismo na UE. No total, 449 pessoas foram presas por crimes relacionados ao terrorismo em 2024, segundo o documento de 2025.
Deste total, 133 tinham entre 12 e 20 anos; o mais jovem tinha 12 anos e participava de planos para realizar um ataque. A maior parte dos suspeitos jovens estava ligada ao jihadismo.
Wegter enfatizou que o jihadismo permanece a principal ameaça à segurança europeia, apesar de mudanças táticas ocorridas na última década. O IS não opera como entidade física, mas adapta sua estratégia por meio de afiliados.
A organização passou a ter centros de comando descentralizados e atua com frentes em diferentes regiões, recrutando com maior foco indivíduos dentro da UE. O objetivo é desestabilizar a sociedade por meio de ações violentas.
Novas formas de extremismo
Além do jihadismo, cresce a resistência online a ideologias de direita e de esquerda, que atraem jovens para comunidades virtuais de apoio a conteúdos agressivos. O fenômeno é descrito como uma mistura de ideologias, às vezes denominada “salad bar extremism”.
Essa abordagem costuma combinar elementos de várias correntes ideológicas e adotar uma violência nihilista. Comunidades online de extremistas aceleracionistas incentivam a disrupção social e o recrutamento de jovens sem bagagem ideológica.
Wegter observa que esse conjunto de tendências não se encaixa perfeitamente no conceito tradicional de terrorismo, mas compartilha de características centrais que podem gerar impactos semelhantes na sociedade.
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