- Mahsa Alert é um site e aplicativo colaborativos que oferece avisos sobre ataques em Irã, com foco em uso offline devido ao corte de internet e ao conflito entre EUA e Israel.
- O mapa reúne ataques confirmados, alertas de evacuação e relatos de usuários, com processo de verificação e backlog de mais de 3.000 relatos pendentes.
- De acordo com os organizadores, o serviço teve cerca de 335 mil usuários neste ano, com aproximadamente 28% acessando de dentro do Irã e mais de 100 mil usuários ativos diários em alguns momentos.
- O projeto é liderado pela organização de direitos digitais Holistic Resilience, criado por voluntários iranianos para preencher a ausência de um sistema público de alertas.
- Entre os desafios, estão ataques distribuídos para derrubar o site, domínios falsos ligados à marca e a dependência de relatos crowdsourced, que não substituem avisos governamentais em tempo real.
Mahsa Alert é um mapa de alertas elaborado por voluntários para compensar a ausência de um sistema público de avisos no Irã. A plataforma, criada por ativistas de direitos digitais, funciona como site e apps Android e iOS, com foco em informações sobre ataques e rotas de evacuação, em meio ao conflito com EUA e Israel e a interrupção de internet.
O projeto nasceu no contexto da guerra de 2022-2023 e ganhou fôlego com a atual ofensiva. A iniciativa é liderada pela Holistic Resilience, organização de direitos digitais com base nos EUA, que já trabalha no tema desde o ano passado. O objetivo é oferecer um recurso de mapeamento dinâmico e atualizado para cidadãos iranianos.
Mahsa Alert prioriza uso offline, com atualizações de dados em tamanho reduzido para caber em conexões instáveis. O site também disponibiliza aplicativos que podem receber atualizações por meio de APKs quando houver conectividade esporádica. Em média, as atualizações não excedem 100 kilobytes.
Funcionamento e verificação de informações
Um overlay no mapa identifica locais de ataques “confirmados” por meio de vídeos ou imagens enviados a um bot no Telegram ou às redes sociais. Além disso, há avisos de áreas com evacuação indicada por forças israelenses e relatos de usuários que ajudam a compor o mapa com informações do entorno.
A verificação é feita por uma equipe de OSINT e voluntários, que passa por uma triagem antes de publicar qualquer dado. O grupo afirma ter mais de 3 mil relatos em backlog, ainda sujeitos a confirmação ou descarte. Também são marcadas zonas de risco, como instalações nucleares ou militares.
O projeto registra milhares de câmeras de vigilância, possíveis checkpoints governamentais e infraestrutura doméstica. Hospitais, farmácias, locais de culto e pontos de protesto aparecem na plataforma, que ganhou visibilidade global conforme iranianos no exterior compartilham o recurso.
Alcance, riscos e limitações
Desde o lançamento, Mahsa Alert ganhou adesão rápida: o uso diário chegou a mais de 100 mil usuários em poucos dias, com cerca de 335 mil acessos ao longo do ano. Segundo a equipe, aproximadamente 28% dos usuários acessam a plataforma a partir do Irã.
Além de oferecer informações, a ferramenta tem enfrentado tentativas recorrentes de ataques distribuídos para tirá-la do ar. Em paralelo, houve publicação de um relatório de segurança sobre tentativas de contaminação de domínios usados pelo projeto. Também houve registro de domínios falsos vinculados à marca, sem relação com a equipe original.
Os organizadores ressaltam que, embora útil, a ferramenta não substitui um serviço estatal de avisos em tempo real. A cobertura depende de relatos crowdsourced e da capacidade de verificação por voluntários, o que impede atualizações em tempo real. Ainda assim, o projeto busca ampliar a documentação de ataques e apoiar a coordenação civil em situações de crise.
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