- A Comissão Marítima Federal dos EUA (FMC) afirmou que a China atua em atitude de retaliação contra o Panamá, detendo navios com bandeira panamenha em portos chineses sob o pretexto de “controle do estado do porto”.
- As ações ocorrem em meio a uma disputa ligada à Panama Ports Company (PPC), empresa chinesa que operava dois portos no Canal do Panamá e teve contrato rescindido pelo governo panamenho.
- A PPC diz ter prejuízos superiores a US$ 2 bilhões após a suposta “apropriação ilegal” de terminais em Balboa e Cristóbal; o Panamá nega irregularidades e diz que há soberania e defesa em curso.
- O governo chinês nega as acusações, classificando-as como infundadas, e afirma ter posição clara sobre os portos da hidrovia.
- O Canal do Panamá é estratégico, recebendo cerca de 40% do tráfego de contêineres dos EUA, o que alimenta tensões entre EUA, Panamá e China na região.
Os EUA acusaram a China de realizar ações de retaliação contra o Panamá, que afetam o transporte marítimo global, em meio a tensões envolvendo dois portos do Canal do Panamá. A denúncia foi feita pela Comissão Marítima Federal (FMC) na quinta-feira, destacando inspeções reforçadas a navios com bandeira panamenha em portos chineses.
Segundo a FMC, as detenções visam punir o Panamá na disputa em torno da operação do canal, após a rescisão de contrato com uma empresa chinesa que atuava nesses portos. A comissária Laura DiBella afirmou que navios panamenhos representam parcela relevante do comércio de contêineres dos EUA e que as ações podem impactar o transporte marítimo americano.
A CNN procurou o Ministério das Relações Exteriores da China e a Autoridade Marítima do Panamá para posicionamento. O porta-voz chinês, Lian Jian, classificou as acusações como infundadas e reiterou que a posição do país sobre os portos da hidrovia é clara, sem detalhar as detenções.
A PPC, operadora dos portos no Canal com capital ligado à CK Hutchison Holding, aumentou suas reivindicações em arbitragem internacional após a suspensão do contrato. Em janeiro, a Suprema Corte do Panamá confirmou a anulação do acordo com a PPC, o que Pequim qualificou como custo político e econômico potencial para o país.
O presidente panamenho, José Raúl Mulino, nega ilegalidades e afirma que o Panamá é um Estado de direito, ressalvando que a decisão deve ser respeitada. A administração de Mulino já afirmou que o Panama trabalharia dentro do processo de arbitragem para defender seus interesses.
Entretanto, o debate sobre o controle da hidrovia persiste. Autoridades norte-americanas apontam que o Canal do Panamá continua estratégico para o comércio global, com grande parte do tráfego de contêineres dos EUA passando pela rota interoceânica. Panamá e China mantêm posições desconectadas sobre o tema.
Contexto e desdobramentos
- As tensões surgem após a rescisão de contrato envolvendo a PPC e a exclusão de uma empresa chinesa da gestão dos portos.
- A FMC monitora a situação nos portos do canal e aponta impactos potenciais para o transporte marítimo global.
- Pequim acusa os EUA de procurar controlar a hidrovia, enquanto o Panamá reafirma a soberania sobre a gestão do canal.
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