- O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, discutiram crime organizado durante a reunião do G7, em Vaux-de-Cernay, na França.
- O Itamaraty informou que o tema incluiu questões comerciais e o aprofundamento da cooperação bilateral no combate ao crime organizado transnacional.
- Vieira seguiu para Yaoundé, capital de Camarões, para chefiar a delegação brasileira na 14ª conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio, que começa no sábado.
- Segundo apuração da CNN Brasil, o governo brasileiro busca evitar que os EUA classifiquem facções criminosas brasileiras como terroristas, o que poderia abrir brechas para intervenção militar e novas sanções.
- No Planalto, a avaliação é de que o tema deve permanecer em negociação diplomática e evitar respostas públicas contundentes que possam atrapalhar um possível encontro entre Lula e Trump em abril.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, participaram de uma reunião paralela aos chanceleres do G7 em Vaux-de-Cernay, na França, nesta sexta-feira. O encontro ocorreu durante a Cúpula de chanceleres e tratou de cooperação bilateral no combate ao crime organizado transnacional. O Itamaraty divulgou imagens do momento.
Segundo nota diplomática, foram discutidas questões comerciais e o aprofundamento da cooperação entre Brasil e Estados Unidos no tema. Vieira deixou Paris em seguida para seguir a agenda, mantendo o foco em temas de interesse comum entre as nações.
O chanceler brasileiro partiu para Iaundê, capital de Camarões, onde chefiará a delegação brasileira na 14ª conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio a partir de sábado.
Contexto sobre medidas de classificação de facções
A CNN Brasil informa que o governo brasileiro busca evitar que facções brasileiras sejam enquadradas como terroristas pelos EUA. A leitura interna é de que tal classificação pode impor riscos à soberania e gerar consequências relevantes.
Analistas apontam que, caso os EUA optem pela designação unilateral de facções como terroristas, haveria espaço para intervenção militar e novas sanções. Em maio de 2025, técnicos do Ministério da Justiça e Segurança Pública entenderam que o Brasil não admite classificar o CV e o PCC como organizações terroristas.
O Departamento de Estado dos EUA afirmou que facções brasileiras representam ameaças devido a tráfico de drogas, violência e crime transnacional, sem confirmar a rotulação de terroristas. O governo brasileiro, por sua vez, mantém cautela para evitar atritos e preservar negociações diplomáticas.
No Planalto, a orientação é priorizar dialogue diplomacy e evitar declarações públicas que atrapalhem encontros entre o presidente Lula e o ex-presidente Trump, previsto para abril. O diagnóstico político brasileiro aponta mais para retórica do governo americano do que para ações concretas no momento.
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