- A União Europeia propõe aplicar o modelo do acordo de grãos do Mar Negro para desbloquear o estreito de Hormuz, conforme afirmou o enviado da UE ao Golfo, Luigi Di Maio, à Euronews em Doha.
- O objetivo é garantir a liberdade de navegação nas águas internacionais do estreito e buscar uma solução diplomática semelhante à do acordo entre Rússia e Ucrânia.
- O acordo do Mar Negro, assinado inicialmente em 2022, permitiu a exportação de grãos ucranianos e reduziu preços globais de alimentos; o pacto foi encerrado após a retirada russa.
- Di Maio destacou o apoio da UE aos países do Conselho de Cooperação do Golfo para defesa própria e cooperação de segurança, incluindo fornecimento de equipamentos.
- A UE trabalha com o Islã-initiative (Islamabad) e com mediadores como Turquia, Egito e Paquistão, buscando uma solução estruturada para o conflito e uma arquitetura de segurança estável no Oriente Médio.
A União Europeia defende a adoção do modelo de grãos do Mar Negro para desbloquear o estreito de Hormuz. A proposta foi feita pelo enviado especial da UE ao Golfo, Luigi Di Maio, em entrevista a Euronews em Doha.
Di Maio explicou que, após o acordo entre Rússia e Ucrânia para corredores humanitários no Mar Negro, é preciso garantir a liberdade de navegação no estreito de Hormuz e o abastecimento de insumos como fertilizantes e gases. A UE pediu apoio às Nações Unidas para abrir a via.
O diplomata informou que a elevada representante da UE, Kaja Kallas, acionou o secretário-geral da ONU, António Guterres, para iniciar a iniciativa diplomática. A ideia é evitar uma crise humanitária ligada ao bloqueio da rota.
O Estreito de Hormuz é hoje foco de tensões decorrentes do conflito no Irã, ampliando preocupações com suprimentos estratégicos. O modelo do Mar Negro tinha como resultado uma passagem segura de grãos da Ucrânia para mercados internacionais.
A iniciativa histórica foi assinada em 2022 entre Rússia, Ucrânia, Turquia e a ONU, abrindo corredor marítimo humanitário para exportação de grãos. Em 2023, a Rússia se retirou e a cooperação foi suspensa.
A UE realiza uma viagem ampla pelo Golfo para reforçar parceria estratégica. Di Maio reuniu-se com autoridades da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã e Qatar, além de Kuwait e Bahrein nos próximos dias.
Segundo o enviado, a mensagem europeia é de solidariedade às defensas dos países do Conselho de Cooperação do Golfo frente aos ataques iranianos. Também há apoio técnico e de material para autodefesa aos parceiros regionais.
Di Maio destacou apoio à cooperação entre Ucrânia e os países do Golfo para tecnologia e treinamento, visando enfrentar ataques com drones iranianos que atingem ambos os lados. A ideia é ampliar a cooperação em defesa.
Sobre uma possível mediação envolvendo Estados Unidos e Irã, Di Maio mencionou a chamada Islamabad initiative. A UE apoia uma solução estruturada para o conflito e participa de contatos com os atores da iniciativa.
O objetivo europeu é uma arquitetura de segurança estável para o Oriente Médio no pós-guerra. Di Maio ressaltou que a segurança do Golfo é também a segurança da UE, e que o bloco acompanha de perto a evolução do conflito.
Durante a visita, o enviado manteve encontros em Doha com autoridades locais, incluindo o ministro de Defesa do Qatar, para coordenar ações conjuntas. Também houve reunião com o ministro da Energia do Qatar sobre cooperação energética de longo prazo.
A UE trabalha, segundo Di Maio, para manter a região alinhada a uma solução diplomática com o menor impacto humano possível. A parceria com o Golfo tem ganhado impulso desde o início do conflito no Irã.
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