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Kim Jong Un usa guerra no Irã para justificar arsenal nuclear

Discurso de Kim Jong Un reforça arsenal nuclear da Coreia do Norte como condição para diálogo com Washington, diante de alianças com Rússia

O líder norte-coreano Kim Jong-un discursa durante um jantar de boas-vindas a autoridades da Coreia do Sul em 18 de setembro de 2018 em Pyongyang, capital da Coreia do Norte
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  • Kim Jong Un afirmou que a guerra entre EUA e Irã prova que manter armas nucleares foi a decisão certa, dizendo que o status nuclear da Coreia do Norte é irreversível.
  • Em discurso à Assembleia Popular, ele pediu reconhecimento como potência nuclear e o fim da “política hostil” dos EUA para retomar o diálogo com Washington.
  • A liderança norte-coreana sustenta que países sem arsenal ficam vulneráveis aos EUA e que o momento coincide com sinais de possível retomada de conversas com Donald Trump, sob condições.
  • Kim indicou que o diálogo com os EUA pode acontecer, mas somente se Washington aceitar a Coreia do Norte como potência nuclear e abandonar a pressão existente.
  • Pyongyang tem reforçado laços com a Rússia, fornecendo projéteis e apoio militar, enquanto analistas apontam benefícios de alimentos, combustível e tecnologia militar para a Coreia do Norte.

Kim Jong-un manteve o tom de endurecimento diante das armas nucleares da Coreia do Norte, associando a guerra entre EUA e Irã à justificativa para manter o arsenal. Em discurso à Assembleia Popular Suprema, o líder afirmou que a pressão dos EUA é irreversível para Pyongyang.

Segundo Kim, a situação atual demonstra que a Coreia do Norte estava correta em rejeitar as pressões para abrir mão de suas armas nucleares. O líder não citou o Irã nominalmente, mas enfatizou a relevância de manter a dissuasão nuclear.

O discurso ocorreu em meio a uma retórica que vincula a segurança norte-coreana ao poder de dissuasão nuclear, enquanto o governo norte-americano tem reiterado políticas de contenção. Trump havia apontado o Irã como ameaça, citando ações preventivas.

Repercussos estratégicos

A leitura oficial sustenta que países com armas nucleares têm maior capacidade de deter ações militares dos EUA, ao passo que na visão de Pyongyang, nações sem arsenais estão mais vulneráveis. O tema do status nuclear diverge de avanços diplomáticos.

Kim sinalizou possibilidade de manter diálogo com Washington, desde que as condições incluam reconhecimento como potência nuclear e o fim da chamada política hostil. As declarações indicam condições mais rígidas para qualquer aproximação.

Além do eixo com Washington, Pyongyang fortalece cooperação com Moscou. A mídia estatal russa mostrou tropas norte-coreanas perto da frente ucraniana, destacando parceria militar e troca de materiais.

Cenário internacional e projeção

Analistas apontam que o apoio norte-coreano à Rússia envolve fornecimento de projéteis, mísseis e apoio tático, em troca de alimentos, combustível e tecnologia. O papel de Pyongyang na guerra da Ucrânia ganha projeção estratégica.

A Coreia do Norte vem realizando testes de armas de alto perfil, com lançamentos de mísseis a partir de novos meios marítimos. As demonstrações reforçam o foco do regime em ampliar a capacidade de entrega.

Kim destacou, em eventos recentes, planos de ampliar o arsenal e os meios de implantação, em linha com a liderança do Partido dos Trabalhadores. A exibição mediatizada reforça a presença de uma agenda geracional.

Embora as hostilidades dominem o discurso, não houve fechamento definitivo à diplomacia. Em um tom reservado, o líder abriu a possibilidade de diálogo, desde que haja aceitação do status nuclear e fim da política hostil.

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