- Milhares de pessoas na Alemanha protestam em apoio à atriz Collien Fernandes, vítima de vídeos pornográficos falsos gerados por inteligência artificial divulgados pelo ex-marido.
- As mobilizações ocorreram de Berlim a Hamburgo, com participação de várias cidades, lideradas pelo coletivo Vulver, que aponta lacunas na proteção jurídica de mulheres na internet.
- A Procuradoria alemã abriu investigação contra o ex-marido, o ator Christian Ulmen, por suspeita inicial de assédio; podem surgir outras infrações no decorrer do caso.
- Fernandes afirma que o marco jurídico atual é insuficiente para crimes de violência digital e levou a queixa também à Espanha, onde morava com o casal.
- O episódio gerou debate político e mobilização pública; em Hamburgo, no dia 26 de março, foram registrados cerca de 17.000 manifestantes.
Milhares de alemães foram às ruas neste fim de semana para apoiar a atriz Collien Fernandes, que acusa o ex-marido de divulgar vídeos pornográficos falsos gerados por IA. O movimento ocorreu em diversas cidades, incluindo Berlim, Frankfurt e Hamburgo, com atos organizados, entre outros, pelo coletivo Vulver.
A atuação pública envolve a acusação de Fernandes contra o ex-marido, o ator Christian Ulmen, de criar perfis falsos e disseminar conteúdos manipulados com a imagem da atriz. A mobilização ocorre após uma reportagem da Spiegel que questionou a proteção jurídica existente contra deepfakes na Alemanha.
Investigação em curso e contexto legal
Nesta sexta-feira, a Procuradoria alemã confirmou abertura de apuração contra Ulmen por suspeita inicial de assédio. O caso tramita no âmbito de violência digital, com possibilidade de inclusão de novas acusações conforme a investigação avança.
Fernandes já havia registrado uma denúncia em 2024, com avaliação de que o marco regulatório atual é insuficiente. A atriz também apresentou uma queixa na Espanha, país onde o casal morava, destacando a rigidez da legislação local contra violência contra mulheres.
Protestos e reações
No último sábado, 17.000 manifestantes participaram em Hamburgo, somando-se a ações em outras cidades para pressionar o governo a fortalecer leis sobre deepfakes. Participantes destacaram a necessidade de proteção efetiva para mulheres expostas a violência online.
Apoio institucional veio de diversas frentes. A Juventude dos Verdes organizou outra marcha em Munique, enfatizando a urgência de leis que responsabilizem quem pratica violência digital. Dialogos políticos sobre políticas migratórias também foram mencionados no debate público.
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