- Delegação de Greenpeace e parceiros explicou em American Samoa que as comunidades são contrárias à mineração em alto mar e querem voz antes de qualquer decisão.
- A agência federal BOEM apresentou etapas do processo de leasing, mas a sensação entre as lideranças locais foi de avanço rápido, não de consulta real.
- Mais de 76 mil comentários públicos foram recebidos, na maioria alertando para danos ambientais e culturais; mesmo assim, a área de concessão foi ampliada.
- Questionamentos foram sobre consentimento: o processo foca em procedimentos e não em pausar ou reverter um leilão se houver oposição.
- No Congresso, autoridades locais destacaram que a mineração é permanente e que não há capacidade de processamento doméstico, enquanto outras ilhas do Pacífico expressaram preocupações semelhantes.
A delegação de Greenpeace e parceiros das Ilhas do Pacífico reuniu-se em American Samoa para discutir mineração em zonas profundas. A visita ocorreu após convite de líderes locais, para ouvir comunidades que temem impactos ambientais e culturais.
A reunião ocorreu numa sala de rádio na manhã de um dia de janeiro. O objetivo foi ouvir, aprender e amplificar a voz de quem depende do oceano ao redor de American Samoa antes de decisões sobre o tema.
Pouco antes, o Bureau of Ocean Energy Management (BOEM) apresentou, a poucos passos dali, um processo federal de concessão de contratos de exploração. A audiência mostrou que o órgão pretende avançar, mesmo com oposição local.
Processo regulatório e riscos percebidos
BoEM já recebeu mais de 76 mil comentários públicos, na maioria alertando para danos ambientais e culturais. Apesar disso, o órgão expandiu a área potencial de concessão, alegando insuficiência de conhecimentos sobre o que existe no leito oceânico.
A percepção entre os presentes foi de que a pressa favorece a exploração. O material de referência do BOEM descreve o andamento regulatório, que pode tornar difícil interromper ou reverter uma concessão após sua emissão.
Em Washington, no mesmo dia, a Câmara dos Representantes discutiu o assunto em audiência. Delegados de ilhas do Pacífico ressaltaram que as decisões afetam comunidades e culturas, não apenas procedimentos.
De acordo com Aumua Amata Radewagen, representante de American Samoa, a população é contrária à mineração em torno do território. Kimberlyn King-Hinds, das Ilhas Marianas, lembrou que decisões sobre o oceano têm efeito permanente. James Moylan, de Guam, pediu evitar sacrifícios às comunidades locais.
Vozes da indústria e especialistas
Gerard Barron, CEO de The Metals Company, defendeu a simplificação de licenças e maior estabilidade regulatória, argumentando que permissão estável dificilmente é revertida. Já Andrew Thaler, ecólogo marinho independente, afirmou que não há urgência para mineração comercial e que não existe capacidade de processamento doméstico suficiente.
A repercussão ocorre em um momento em que, dias após a visita, o BOEM abriu nova consulta para mineração de fundos marinhos na região de Alaska, sinalizando uma estratégia de atuação rápida e com avaliação menos ampla.
Contexto e próximos passos
A posição de American Samoa não é isolada: comunidades locais destacam a importância cultural e econômica do oceano. Houve preocupação com monitoramento independente e com a possibilidade de reversão de decisões caso haja oposição pública.
A reportagem acompanha o desenrolar das negociações entre governo, comunidades locais e empresas do setor, bem como os desdobramentos regulatorios em nível federal. A discussão continua a apontar para equilíbrio entre exploração econômica e proteção ambiental.
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