- O governo russo intensifica o cerco à internet, com apagões digitais e bloqueio de sites considerados pouco confiáveis, em meio a tentativas de restringir o acesso a plataformas estrangeiras.
- A busca por alternativas levou russos a adquiri pagers, telefones fixos, mapas impressos e walkie-talkies, em um cenário de instabilidade na conectividade.
- A Rússia passou a mirar as redes privadas virtuais (VPNs) para reduzir seu uso, e a Apple já retirou VPNs da App Store sob esse argumento.
- O Telegram é alvo de possível bloqueio total, com a decisão cercada de críticas até mesmo de apoiadores de Vladimir Putin; o governo justifica medidas como combate a drones e terrorismo.
- Houve resistência política e social ao bloqueio, incluindo pedidos de explicação pelo Parlamento e prisões de manifestantes pró-liberdade de expressão em Moscou.
Rússia acelera o isolamento da sua internet, ampliando apagões digitais e restringindo o uso de redes privadas virtuais. Em meio a esse cenário, moradores recorrem a alternativas como pagers, mapas impressos e telefones fixos. A possibilidade de proibir o Telegram gerou críticas mesmo entre apoiadores do governo.
O governo conduz uma ofensiva mais ampla contra plataformas estrangeiras, com metas explícitas de reduzir o acesso a serviços online que não atendem aos padrões russos de segurança. A medida envolve bloquear VPNs e dificultar o tráfego internacional de dados, segundo informações oficiais.
Os apagões de internet ocorrem em várias regiões do país, inclusive em grandes cidades. O regime classifica certos sites como pouco confiáveis e impõe interrupções que afetam serviços básicos, como chamadas, pagamentos e mobilidade urbana.
A procura por meios de comunicação alternativos já estimulou a venda de dispositivos de comunicação offline, como walkie-talkies, além de materiais impressos e tocadores de MP3 antigos. Técnicas de redução de conectividade passaram a ser debatidas entre especialistas e usuários.
Medidas contra VPNs
Nesta semana, o Kremlin sinalizou a intensificação de ações contra redes virtuais privadas. O Ministério da Digitalização informou que o objetivo é restringir o acesso a plataformas estrangeiras, sob a alegação de segurança e combate ao terrorismo.
Até janeiro, unobentram bloqueados mais de 400 VPNs, um aumento de cerca de 70% em relação ao fim do ano anterior. Mesmo assim, surgem novas aplicações que tentam contornar as restrições, pressionando autoridades a agir.
A Apple retirou da App Store várias VPNs que davam acesso a conteúdo censurado, medida que exemplifica a escalada de controle sobre o ecossistema digital no país.
Telegram no foco
O Telegram aparece como o principal bastião de liberdade na internet russa. O Ministério da Digitalização indicou que pode haver um bloqueio total do app, com possibilidade de adiamento após eleições de setembro, conforme relatos de veículos locais.
As autoridades discutem ainda a criação de custos adicionais caso o tráfego internacional supere 15 gigabytes por mês, segundo o governo.
O Telegram, criado pelo empresário Pavel Durov, tornou-se ferramenta essencial para comunicados oficiais locais, coordenação de ações públicas e, em algumas regiões, para comunicações de autoridades com a população durante eventos de conflito.
Repercussões políticas e sociais
A justificativa oficial envolve segurança, combate a drones ucranianos e controle de desinformação, mas críticas se acumulam entre autoridades regionais e analistas. O governador de Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, afirmou que as interrupções provocam danos humanos.
Mesmo dentro do parlamento, há sinais de desconforto. Um pedido para que o Kremlin explique o bloqueio ao Telegram foi votado na câmara, recebendo oposição de parcela relevante dos deputados.
Protestos contra as medidas ocorreram e houve prisões de manifestantes em Moscou, destacando o acirramento social em resposta às restrições digitais.
As ações do governo russo no setor de tecnologia refletem uma mudança de regime para o ambiente censurado, com consequências diretas para o cotidiano de cidadãos, empresas e serviços públicos que dependem da conectividade.
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