- Exposição Proximities, com obras de quarenta e sete artistas sediados nos Emirados Árabes, abriu no Seoul Museum of Art (SeMA) com mais de cento e dez trabalhos.
- A mostra, resultado de parceria entre o SeMA e a Abu Dhabi Music and Arts Foundation, apresenta perspectivas diversas sobre a vida e a sociedade nos Emirados.
- O conjunto inclui seções como A Place for Turning e Recording Distance, Not Topography, com obras de artistas como Layan Attari, Shaikha Al Ketbi e Mohammed Kazem.
- Entre as obras destacadas estão Zen Dubai Fountain Soothing Water Sounds for Relaxation, Meditation, and Inner Peace (2019) e Window 2003-2005 (2005), que exploram memória, mudança de paisagem e o papel dos migrantes.
- O objetivo é criar pontos de contato entre Emirados e Coreia do Sul, enfatizando vozes femininas e nuances regionais, sem reforçar estereótipos ou uso de poder político.
O SeMA (Seoul Museum of Art) inaugurou, em conjunto com a Abu Dhabi Music and Arts Foundation, a exposição Proximities, com obras de 47 artistas baseados nos Emirados Árabes. A mostra, com mais de 110 peças, abriu em dezembro e encerrou em 29 de março, em meio a um conflito regional que ganhou contornos na região. O objetivo era apresentar uma visão da vida pré-guerra nos Emirados, buscando ampliar percepções sobre o país.
A curadoria foi liderada pela independente Maya El Khalil, atuando com Eunju Kim e seis artistas-curadores. A proposta foi revelar múltiplas perspectivas sobre a produção artística nos Emirados e também incluir obras de artistas estrangeiros residentes. O conjunto enfatizou temas sociais, políticos e a relação entre território, memória e transformação.
A exposição contou, entre destaques, a obra Zen Dubai Fountain Soothing Water Sounds for Relaxation, Meditation, and Inner Peace de Layan Attari (2019), que reinterpreta o som da fonte de Dubai sem a música habitual. Também chamou atenção a seção A Place for Turning, de Farah Al Qasimi, com fotografias pop e o vídeo Um Al Naar (Mother of Fire), sobre um espírito travesso, segundo a narrativa da artista.
Curadoria e temáticas
Outra parte, Recording Distance, Not Topography, curada por Mohammed Kazem e Cristiana de Marchi, incluiu Window 2003-2005 (2005), de Kazem, sobre a construção de um prédio em Dubai e a vida de trabalhadores migrantes. A mostra procurou apresentar vínculos entre a cultura árabe e a de Seul, ressaltando semelhanças históricas entre as trajetórias de UAE e Coreia em desenvolvimento econômico.
O enfoque enfatizou vozes femininas e experiências de mulheres na região, como em Corpse (2022), de Aliyah Al Awadhi, que aborda direitos reprodutivos e críticas a cenários internacionais. A seleção evitou o uso de poder suave excessivo, mantendo uma leitura crítica sobre identidade, território e mudanças urbanas.
Contexto e desdobramentos
A mostra ocorreu num momento de atenção internacional às bases norte-americanas na região e suas consequências políticas. Embora o caráter expositivo tenha priorizado a construção de identidade local, o debate incluiu referências ao papel das potências externas na região. Obras como Goat House (2021), de Maitha Ali, discutiram migrações e memorias entre o Irã e o Golfo, destacando contradições linguísticas e mudanças sociais.
A parceria entre SeMA e a Abu Dhabi Music & Arts Foundation reforça a aproximação cultural entre Coreia do Sul e Emirados, com foco em produção contemporânea de artistas não ocidentais. O projeto é visto como uma tentativa de ampliar o diálogo entre culturas, sem recorrer a intermediários ocidentais.
Entre na conversa da comunidade