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Mais condecorado soldado australiano é preso por crimes de guerra

Ben Roberts-Smith, soldado australiano mais condecorado, é preso por cinco crimes de guerra no Afeganistão; caso pode resultar em prisão perpétua

O ex-soldado australiano Ben Roberts-Smith é acompanhado por agentes no aeroporto de Sydney.
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  • O soldado australiano Ben Roberts-Smith foi preso ao chegar ao Aeroporto de Sydney e é acusado de cinco crimes de guerra por mortes de civis desarmados durante missões no Afeganistão entre 2009 e 2012.
  • Cada crime prevê pena máxima de prisão perpétua; a fiança foi negada e a audiência está marcada para quarta-feira.
  • Roberts-Smith era considerado herói nacional, premiado com a Cruz Vitória, por ações entre 2006 e 2012; ele nega irregularidades.
  • A investigação, iniciada em 2021 pela Polícia Federal Australiana e pelo Escritório do Investigador Especial, aponta dificuldade de acesso a locais dos supostos crimes no Afeganistão.
  • A apuração já identificou cinquenta e três casos de crimes de guerra envolvendo militares australianos, com dez ainda em andamento; a Anistia Internacional classifica a prisão como avanço para responsabilização.

Ben Roberts-Smith, o soldado australiano mais condecorado, foi preso nesta terça-feira (7) em Sydney, acusado de cinco crimes de guerra envolvendo mortes de civis desarmados no Afeganistão entre 2009 e 2012. A detenção ocorreu ao chegar ao Aeroporto de Sydney, segundo a Polícia Federal Australiana.

A acusação sustenta que as vítimas não participavam de hostilidades quando mortas e estavam sob controle de membros das Forças de Defesa da Austrália, com o próprio Roberts-Smith ou subordinados agindo sob suas ordens. Cada crime pode levar à pena máxima de prisão perpétua.

Roberts-Smith teve a fiança negada e aguarda audiência marcada para quarta-feira (8). O ex-membro das Forças de Defesa, hoje com 47 anos, foi premiado com a Cruz Vitória por ações durante seis missões no Afeganistão, entre 2006 e 2012, e há décadas era visto como herói nacional.

Contexto e desdobramentos

Um relatório de 2020 apontou que integrantes do Regimento SAS teriam assassinado dezenas de prisioneiros desarmados no Afeganistão. A investigação envolvendo Roberts-Smith teve origem em 2021, conduzida pela Polícia Federal Australiana e pelo Office of the Special Investigator (OSI).

Ross Barnett, diretor de investigações do OSI, destacou a dificuldade do caso, uma vez que não há acesso aos locais dos supostos crimes no Afeganistão para recolher evidências físicas no local. A apuração já investigou 53 casos de crimes de guerra envolvendo militares australianos, com 10 ainda em andamento.

A Anistia Internacional classificou a prisão como um marco para responsabilização internacional, ressaltando a necessidade de que as autoridades conduzam investigações completas e levem os responsáveis à Justiça quando cabível. Roberts-Smith viajava acompanhado da namorada e de duas filhas adolescentes no momento da prisão.

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