- Orbán ofereceu amizade e ajuda a Vladimir Putin, inclusive abrigo para negociações de paz em Budapeste, em uma ligação bilateral de outubro de 2025, segundo transcrição obtida pela Bloomberg.
- Segundo a transcrição, o premiê afirmou estar à disposição para qualquer assunto em que possa ajudar; comparou a ajuda a um camundongo que liberta um leão, o que foi citado como fábula húngara.
- A conversa teve tom diplomático e mencionou o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump; os dois discutiram a possibilidade de realizar uma cúpula em Budapeste para encerrar a guerra na Ucrânia, que não ocorreu.
- O fato ocorre em meio a ampla atenção sobre as relações de Hungria com a Rússia, com eleições nacionais próximas e relatos de maior aproximação entre ambos, além de alegações de campanhas de desinformação apoiadas pela Rússia.
- O ministro das Relações Exteriores, Péter Szijjártó, enfrentou dúvidas sobre supostos repasses de detalhes confidenciais de reuniões da UE ao ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov; ele negou as ocorrências durante as reuniões, mas disse ter feito briefings antes e depois.
Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, ofereceu apoio a Vladimir Putin durante uma ligação bilateral realizada em outubro de 2025. Segundo a transcrição obtida pela Bloomberg, o premiê afirmou estar à disposição para ajudar, inclusive hospedando negociações de paz em Budapeste, caso fosse necessário. A conversa ocorreu em tom diplomático, com Orbán comparando a relação entre os governos a uma fábula em que um camundongo liberta um leão.
Na conversa, Putin respondeu ao paralelo e não houve confirmação de avanços práticos. Os minutos registrem também que Orbán afirmou que a amizade entre os dois países tende a se fortalecer, destacando a possibilidade de enfrentar adversários comuns. O conteúdo é apresentado como parte de uma sequência de contatos entre as lideranças, inclusive com menções a um possível encontro na capital húngara para tratar do conflito na Ucrânia. A transcrição foi tornada pública pela Bloomberg, citando a origem governamental húngara.
Interferência russa e eleições na Hungria
À véspera de eleições nacionais, surgiram relatos sobre maior aproximação entre Moscou e Budapeste, gerando questionamentos sobre a independência da Hungria em decisões europeias. O ministro das Relações Exteriores húngaro, Péter Szijjártó, enfrentou escrutínio por alegações de repassar detalhes confidenciais da UE ao Ministério das Relações Exteriores da Rússia; o ministro negou que tenha ocorrido durante reuniões, mas reconheceu brevemente ter informado o parceiro russo antes e depois de encontros.
A União Europeia reagiu ao comportamento de autoridades nacionais, com a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, ressaltando a necessidade de atuação voltada aos interesses da UE. Em Varsóvia, o primeiro-ministro Donald Tusk classificou tais ações como inadequadas. Relatos de março indicaram a emissão de um grupo de trabalho ligado ao Kremlim na Hungria, o que foi negado pela embaixada russa em Budapeste. Publicações posteriores apontaram campanhas de desinformação apoiadas pela Rússia para fortalecer a imagem de Orbán e enfraquecer adversários, sem confirmação independente de todos os fatos.
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