- Israel realizou seus ataques mais intensos no Líbano desde o início do conflito com o Hezbollah, deixando 254 mortos e mais de 1.100 feridos no país todo, com Beirute registrando 91 óbitos.
- Pelo menos cinco ataques consecutivos atingiram Beirute, com mais de cem centros de comando e instalações militares do Hezbollah alvejados em cerca de dez minutos.
- O Hezbollah interrompeu ataques em apoio ao cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, enquanto Israel afirmou que o Líbano não estava incluído na trégua; autoridades americanas disseram que houve mal-entendido.
- Houve danos generalizados a civis, edifícios destruídos e hospitais pedindo doações de sangue; a ONU criticou a carnificina e pediu contenção.
- Israel afirmou buscar uma zona de contenção no sul do Líbano; o Hezbollah disse cumprir o cessar-fogo, mas há divergências sobre o acordo e possíveis repercussões.
Israel realiza ataques mais devastadores no Líbano desde o início do conflito com o Hezbollah, nesta quarta-feira, ceifando pelo menos 250 vidas. Os ataques ocorreram mesmo com o cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã em vigor, e o Hezbollah suspendeu seus ataques temporariamente. Beirute, o Vale do Bekaa e o sul do país foram atingidos.
Ao longo de a tarde, pelo menos cinco ataques consecutivos sacudiram a capital Beirute, com colunas de fumaça elevando-se ao redor da cidade. O Exército israelense afirmou ter lançado o maior ataque coordenado da guerra, mirando mais de 100 alvos do Hezbollah em várias regiões.
Segundo o serviço de defesa civil, 254 pessoas morreram e mais de 1.100 ficaram feridas em todo o Líbano. Em Beirute, o número de mortos chegou a 91. O Ministério da Saúde informou 182 óbitos, sem confirmar se o total é definitivo.
Este foi o dia mais letal da escalada que começou em 2 de março, quando o Hezbollah reagiu ao ataque de EUA e Israel ao Irã. Israel disse estar conduzindo uma campanha aérea e terrestre de grande intensidade contra o grupo.
Funcionários da defesa civil foram vistos retirando uma idosa de um prédio no oeste de Beirute, após parte da edificação ser derrubada. Em outra cena, equipes improvisaram atendimento a feridos com motocicletas, devido à falta de ambulâncias.
O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, descreveu a situação como horrível e mencionou o envio de uma trégua contraditória aos acontecimentos. Ele ressaltou que a violência desafia expectativas após o acordo entre EUA e Irã.
À noite, um novo ataque atingiu os subúrbios do sul de Beirute, conforme transmissão da Reuters. O Hezbollah afirmou que interrompeu temporariamente seus ataques, a pedido de mediadores, mas criticou a continuação de israelenses agressões.
Relações internacionais e contornos do cessar-fogo
O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que o Líbano não integra o cessar-fogo com o Irã e que as ações contra o Hezbollah devem seguir. Diplomatas da Casa Branca reiteraram que o Líbano não está incluído no acordo, divergindo de relatos anteriores.
O exímio interlocutor do acordo, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, havia mencionado que o Líbano seria incluído. O Hezbollah, por meio de representantes próximos, afirmou ter cumprido o cessar-fogo após ser informado de que estaria incluso, o que gerou desconforto entre os aliados.
O Irã, por meio da Guarda Revolucionária, advertiu que responderia aos ataques se o Líbano não deixasse de ser visado. O presidente libanês, Joseph Aoun, informou ter recebido apoio diplomático da França para incluir o Líbano no cessar-fogo, caso haja acordo.
O Hezbollah denunciou os ataques como agressão bárbara, reforçando seu direito de resposta. Autoridades libanesas destacaram que a maioria dos ataques atingiu áreas civis. Autoridades israelenses disseram que o Sudeste do Líbano foi isolado do restante do país.
Situação humanitária e infraestrutura
Fontes de segurança libanesa indicaram que a ponte que liga o sul ao restante do país, próxima ao rio Litani, foi atingida, visando uma futura zona de contenção. Hospitais e usinas elétricas no sul do Líbano sofreram danos, agravando a escassez de alimentos e medicamentos.
As autoridades enfatizaram que a região continua sob pressão, com operações de socorro em meio a danos estruturais significativos. Médicos locais destacaram a necessidade de doações de sangue e de recursos médicos urgentes para atender aos feridos.
Esta matéria é baseada em informações coletadas em Beirute, com apoio de equipes da Reuters, incluindo Maya Gebeily, Thomas Suen, Laila Bassam, Nazih Osseiran, Emilie Madi e Alexander Dziadosz, além de jornalistas no Cairo.
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