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Telegram abriga redes organizadas de abuso na Espanha e Itália, aponta relatório

Relatório aponta ecossistema de abuso em grande escala no Telegram, com quase vinte e cinco mil usuários disseminando conteúdo sexual não consensual entre Espanha e Itália

FILE - The logo for the Telegram messaging app is seen on a notebook screen in Munich, Germany, Oct. 17, 2022
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  • Um estudo da organização europeia AI Forensics encontrou quase 25 mil usuários atuando em um “ecossistema de abuso” no Telegram, divulgando material sexual não consensual e pornografia infantil entre Espanha e Itália.
  • A análise revisou 2,8 milhões de mensagens em 16 grupos ao longo de seis semanas, identificando divulgação cross-border e monetização do conteúdo.
  • As contratações envolvem cobrança de até € 50 para acesso completo a canais e arquivos, com mensalidade de cerca de € 5 em alguns casos; bots de “nudificação” são promovidos para ampliar o conteúdo.
  • As vítimas costumam ser identificadas por nomes e links de perfis, e o material é redistribuído em plataformas como TikTok e Instagram, com Reddit funcionando como porta de recrutamento para os links originais.
  • O estudo aponta falhas da moderação do Telegram, recomenda que a União Europeia classifique a plataforma como Very Large Online Platform (VLOP) sob o Digital Services Act e que haja maior transparência e capacidade de remoção de conteúdo infantil e não consensual.

Um relatório da AI Forensics, instituto sem fins lucrativos europeu, aponta que o Telegram hospeda um ecossistema de abuso em escala, com usuários distribuindo e vendendo conteúdo sexual de natureza injuriosa entre Espanha e Itália.

A pesquisa analisou 2,8 milhões de mensagens em 16 grupos ao longo de seis semanas. Quase 25 mil pessoas participaram do fluxo de conteúdo sexual não consensual, com vítimas principalmente mulheres. A maior parte do material envolve fotos ou vídeos de mulheres próximas aos perpetradores.

O estudo constatou que jovens homens obtêm material de Instagram e WhatsApp, para então monetizar o conteúdo por meio de acessos únicos de até 50 euros e assinaturas mensais de cerca de 5 euros. Bots de *nudificação* são anunciados para ampliar a produção de conteúdo não consensual.

Os vídeos são nomeados, marcados e podem ser localizados via perfis compartilhados em Telegram. A redistribuição ocorre em plataformas como TikTok e Instagram, enquanto o Reddit funciona como porta de recrutamento que encaminha links para canais originais.

Segundo a AI Forensics, o alcance alcançou cerca de 52 mil pessoas, com 27 mil na Itália e 25 mil na Espanha. O relatório indica que o problema é europeu em âmbito e exige resposta coordenada entre Estados e plataformas.

Conteúdo difundido e alcance

O estudo descreve que o material é repostado em várias plataformas, ampliando o acesso e dificultando a identificação das vítimas. A organização ressalta que a distribuição não respeita fronteiras nacionais nem regras de plataformas.

Moderação do Telegram

O relatório afirma que o Telegram encerra alguns grupos, mas eles voltam a surgir com os mesmos nomes em poucas horas. A AI Forensics classifica a moderação como insuficiente e recomenda mecanismos de denúncia eficazes e aplicação das políticas, especialmente em relação ao modelo de assinaturas premium.

A instituição pediu ainda que a União Europeia trate o Telegram como Very Large Online Platform (VLOP) sob o DSA, aumentando transparência, auditorias de risco e responsabilidade sobre o funcionamento de algoritmos.

Até o momento, o Telegram não respondeu de forma pública ao pedido de comentário sobre o estudo. A plataforma restringe conteúdo de abuso infantil e não consensual, segundo seus termos, e dispõe de moderação alimentada por IA para coibir violações.

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