- Multidões em várias cidades do Irã realizaram atos para marcar o 40º dia do assassinato do líder supremo Seyyed Ali Khamenei, morto por bombardeio de Israel e EUA no início da guerra.
- A imprensa iraniana mostrou apoio ao regime e também prestou homenagens aos dirigentes mortos e às 168 meninas mortas no ataque à escola de Minab.
- A procissão de Teerã saiu da Praça Jomhouri e seguiu até o local do assassinato; ações ocorreram em centenas de cidades, com imagens das lideranças e das crianças mortas.
- O aiatolá Mojtaba Khamenei, filho de Khamenei, assumiu o cargo e prometeu vingança pelos mártires, incluindo o pai e familiares mortos no ataque.
- Autoridades dizem que Khamenei escolheu o martírio; no Irã, o Líder Supremo é eleito pela Assembleia dos Especialistas, cargo vitalício, com possibilidade de destituição pela Assembleia.
Multidões tomaram as ruas de várias cidades do Irã nesta quinta-feira (9) para marcar o 40º dia do assassinato do líder Supremo Seyyed Ali Khamenei, segundo a imprensa estatal. O ataque foi atribuído a ações de Israel e dos EUA no início do conflito.
Segundo a imprensa iraniana, a procissão fúnebre percorreu a Praça Jomhouri até o local do assassinato do aiatolá. Em Teerã, a cerimônia se estendeu pela noite, com milhares de pessoas segurando bandeiras do Irã e retratos das lideranças e das vítimas do atentado.
A cobertura divulgada descreve homenagens a dirigentes políticos e militares mortos ao longo dos quase 40 dias de guerra, bem como às 168 meninas mortas no ataque à escola de Minab. As informações são veiculadas por redes de TV e agências locais.
Contexto político e reação interna
A visitação pública ao luto reflete uma base de apoio ao regime, ainda que haja oposição expressiva à República Islâmica. Especialistas ressaltam que a sociedade é dividida entre simpatizantes e críticos do governo.
Dr. Paulo Hilu, da Universidade Federal Fluminense, afirma que setores ideológicos e políticos ajudam a manter o regime. Segundo ele, há quem concorde com a defesa do Irã diante de ameaças externas, sem caracterizar unanimidade na população.
Dados do conflito e desdobramentos
A Organização de Medicina Forense do Irã informou que mais de 3 mil pessoas morreram nos ataques israelenses-estadunidenses, com cerca de 40% das vítimas ainda não identificadas. O balanço destaca o impacto humano da guerra no país.
Apoio ao regime também se manifesta em manifestações contra a agressão, incluindo ações para proteger infraestruturas críticas. A guerra envolve ações de várias frentes, com mobilização de diferentes setores da sociedade.
Liderança após a morte de Khamenei
Após o assassinato, o filho do líder, o aiatolá Mojtaba Khamenei, assumiu posição de resposta e anunciou retaliação pelo que chamou de sangue de mártires, citando o próprio pai entre as vítimas. A família envolve-se nas narrativas oficiais do conflito.
O governo iraniano descreve o assassinato como martírio, apontando a recusa de Khamenei de buscar abrigo como escolha voluntária. Na tradição xiita, o martírio é apresentado como honra, influenciando o discurso estatal.
Estrutura de poder no Irã
O Líder Supremo é escolhido pela Assembleia dos Peritos, composta por 88 clérigos, cuja função é eleger ou destituir o cargo. O líder atua como moderador, com influência direta sobre as Forças Armadas.
O Irã mantém, desde 1979, uma estrutura de poder complexa, com Executivo, Legislativo, Judiciário e órgãos religiosos. A constituição permite destituição do líder por decisão da Assembleia dos Peritos.
Entre na conversa da comunidade