- Antonio Spadaro, subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação do Vaticano, respondeu em X às críticas de Donald Trump ao Papa Leão XIV, dizendo que o presidente ataca “uma voz moral” porque não consegue contê-la.
- Spadaro afirma que Trump não debate com Leão; ele quer que o Papa use uma linguagem que possa dominar, mas o Pontífice fala outra língua, que não se reduz à força, à segurança ou ao interesse nacional.
- O Papa Leão XIII tem se manifestado sobre a guerra entre os EUA e Israel e condenou a retórica de Trump como “verdadeiramente inaceitáveis”, enquanto se prepara para uma viagem de dez dias por quatro países africanos.
- Na Truth Social, Trump chamou Leão de “fraco no combate ao crime” e “péssimo em política externa”.
- O correspondente Christopher Lamb, da CNN, disse que não se lembra de o presidente atacar um papa dessa maneira, destacando o Papa Leão XIII como contrapeso espiritual e diplomático aos EUA, e que as declarações sobre a guerra repercutem nos EUA.
O Vaticano respondeu nesta segunda-feira às críticas de Donald Trump ao Papa Leão XIV. Um representante vaticano afirmou que o presidente americano tenta reduzir a voz moral do pontífice aos interesses nacionais, enquanto o Papa mantém uma linguagem que transcende essas leituras políticas.
Antonio Spadaro, subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação do Vaticano, afirmou que Trump não debate com o Papa, mas busca impor uma linguagem de domínio. Segundo Spadaro, o Papa Leão XIV fala de forma independente, sem se submeter à gramática da força ou do interesse nacional.
A controvérsia ocorre em meio à tensão entre EUA e Israel e a guerra envolvendo o Irã. O Papa tem se posicionado criticamente sobre a retórica de Trump e sobre as possibilidades de escalada militar, o que aprofundaria o debate diplomático na opinião de observadores.
Trump, por sua vez, criticou o Papa Leão XIV nas redes sociais, chamando-o de fraco no combate ao crime e ruim na política externa. O republicano afirmou ainda que não era fã do Papa, em referência a questões de globalização e segurança internacional.
Christopher Lamb, correspondente da CNN no Vaticano, indicou que não se recorda de ataque tão direto de um presidente americano contra um papa. Segundo ele, o Papa representa um contrapeso espiritual frente à Presidência dos EUA neste momento.
O Papa Leão XIV está prestes a realizar uma viagem de 10 dias por quatro países africanos, começando pela Argélia, seguida por Camarões, Angola e Guiné Equatorial. A agenda inclui encontros com lideranças locais e momentos de meditação sobre temas de paz e convivência global.
Para analistas, o contraste entre o Papa em um país muçulmano durante uma operação militar estadunidense no Irã amplia o significado diplomático da visita. As declarações do pontífice sobre a guerra repercutem nos EUA e alimentam o debate sobre a posição moral da Igreja.
Viagem do Papa e reação internacional
- A atuação do Papa Leão XIV em África é vista como um marco diplomático.
- Observadores destacam o papel de contrapeso espiritual frente à agenda de Trump.
- A resposta vaticana ressalta a independência da linguagem papal frente a interesses nacionais.
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