- A DINUM anunciou o fim do Windows em estações de trabalho do governo francês e a migração para Linux, começando pelas próprias 350 máquinas internas.
- Cada ministério precisa apresentar seu plano de migração até o outono de 2026; a transição ampla não é imediata nem nacional de uma vez.
- O novo desktop Linux será baseado no GendBuntu (Ubuntu modificado pela polícia) e deve usar o Ubuntu 26.04 com o GNOME 50 e o Wayland como sistema de janelas.
- A suíte FrançaOS trará LibreOffice, Firefox ESR, Thunderbird ESR, GIMP e a suíte La Suite Numérique, com infraestrutura hospedada na Europa e foco em interoperabilidade entre apps governamentais.
- A mudança visa reduzir dependências de software americano; o modelo já foi inspirado pela experiência da GendBuntu e envolve cooperação com parceiros da União Europeia, como CommonGround e Sovereign Cloud Stack.
França formalizou a substituição do Windows por Linux nos desktops da administração pública. A mudança, anunciada recentemente, começa pela Diretoria Interministerial de Assuntos Digitais (DINUM) e não envolve ainda todos os órgãos de imediato. A ideia é reduzir dependências de tecnologia estrangeira e ampliar o controle sobre o ambiente digital.
A DINUM informou que a transição será gradual, iniciando com cerca de 350 estações de trabalho próprias e com coordenação entre ministérios para planos setoriais até o próximo outono. Governo destaca o conceito de soberania digital como objetivo estratégico.
A estratégia e o porquê
O governo francês ressalta que a transição não é apenas tecnológica, mas de governança. A meta é depender menos de fornecedores estrangeiros e ampliar interoperabilidade entre serviços públicos. A iniciativa se apoia em um ecossistema já utilizado pela Gendarmérie, a polícia nacional, que opera o sistema GendBuntu há anos.
David Amiel, ministro da ação pública, descreveu a medida como parte de uma resposta à dependência tecnológica. Anne Le Hénanff, responsável pela IA e tecnologia digital, reforçou a necessidade de soluções soberanas, interoperability e sustentabilidade. A decisão inclui a adoção de Linux no desktop.
O que está em jogo tecnologicamente
A solução interna, chamada provisoriamente de FranceOS, baseia-se no GendBuntu, distribuído a partir de versões Ubuntu LTS. Espera-se que o design atual migre para Ubuntu 26.04 com kernel 7.0, mantendo foco em estabilidade e suporte prolongado.
A pilha de software prevista utiliza GNOME 50, LibreOffice, Firefox ESR, Thunderbird ESR e GIMP, além de uma suite colaborativa chamada La Suite Numérique. Essa suíte agrega ferramentas de comunicação, edição de documentos, planilhas, armazenamento seguro, e transferência de arquivos, todas hospedadas dentro de infraestrutura europeia.
A governança e a colaboração europeia
A implantação envolve governança compartilhada: single sign-on, interoperabilidade entre apps e armazenamento em nuvem hospedeiro na infraestrutura europeia. A DINUM aponta que a suíte colaborativa já atende a centenas de milhares de funcionários públicos e nasce com foco em manter dados dentro de fronteiras da UE.
Observa-se ainda uma cooperação com iniciativas europeias, como projetos similarmente voltados à soberania digital. A ideia é criar um ecossistema de ferramentas abertas, com padrões comuns, para facilitar a colaboração entre órgãos e entre países, reduzindo dependências de provedores dos EUA.
Panorama operacional
A transição completa não ocorrerá de imediato; cada ministério deverá apresentar seus planos de migração até o outono de 2026. Enquanto isso, a DINUM reforça que a estratégia já utiliza o modelo comprovado pela GendBuntu como referência de governança e confiabilidade.
França já vinha promovendo a migração de softwares de missão crítica para soluções abertas. Em janeiro de 2026, o governo orientou a substituição de ferramentas de comunicação de escritório por plataformas nacionais, com prazo para 2027. A fase atual adiciona o desktop à agenda de soberania digital.
O que muda para o dia a dia
Caso a transição se amplie, servidores, desktops e fluxos de trabalho poderão observar maior integração com serviços europeus, menor exposição a riscos de dependência externa e maior controle sobre dados públicos. A expectativa é gerar ganhos de eficiência e segurança em longo prazo.
Autoridades enfatizam que a iniciativa não é uma ruptura isolada, mas parte de um ecossistema de software livre alinhado a padrões europeus. O objetivo é manter a mobilidade entre aplicações e facilitar a migração entre setores.
Entre na conversa da comunidade