- A Rússia propõe reservas conjuntas de alimentos com os seus parceiros do Brics e antigas repúblicas soviéticas para reduzir riscos à segurança alimentar global devido à crise no Oriente Médio.
- A situação pode afetar fertilizantes e o comércio global, com estimativas de que o Estreito de Hormuz get quase fechado aumente a pressão sobre insumos agrícolas.
- O vice‑secretário do Conselho de Segurança russo, Alexander Maslennikov, ressaltou a importância de ampliar a cooperação com a União Econômica Eurasiática e o Brics.
- O presidente Vladimir Putin deve se reunir com o líder indonês Prabowo Subianto, do Brics, no Kremlin, em meio a expectativas de discutir segurança alimentar; a crise pode reduzir a produtividade de culturas se a escassez persistir até o verão.
- A Rússia, grande exportadora de trigo e fertilizantes, planeja crescer exportações agrícolas em até cinquenta por cento até 2030; o Egito é o maior importador de trigo russo.
A Rússia propõe a criação de reservas de alimentos conjuntas com membros do Brics e países vizinhos da antiga União Soviética para mitigar riscos à segurança alimentar global decorrentes do conflito no Oriente Médio. A proposta foi anunciada por uma autoridade de alto escalão do governo russo nesta segunda-feira.
A medida visa reduzir a vulnerabilidade do comércio mundial de insumos agrícolas, diante de interrupções logísticas que afetam fornecedores de fertilizantes e grãos, em especial pelas tensões na região.
A deterioração da navegação no Estreito de Ormuz, que historicamente respondia por parte significativa do tráfego de fertilizantes, agrava a dependência de cadeias globais de suprimentos. O estreito permanece quase fechado desde o início do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã, segundo relatos governamentais.
A Rússia, maior exportador mundial de trigo, defende a atuação conjunta com parceiros estratégicos para reduzir impactos internacionais na produção e no abastecimento de alimentos.
Contexto da proposta
De acordo com Maslennikov, vice-secretário do Conselho de Segurança da Rússia, a cooperação com países aliados e com blocos regionais é essencial para assegurar a oferta de alimentos. A ideia é estruturar reservas conjuntos de alimentos entre os membros da União Econômica Eurasiática e do Brics.
A avaliação oficial aponta que, se a escassez de fertilizantes persistir até o verão, a produtividade de culturas-chave pode recuar consideravelmente, alimentando a inflação global de alimentos. Estima-se ainda um aumento no número de pessoas famintas, com projeção de 673 milhões em nível mundial.
Impactos e interesses regionais
Instituições internacionais, como Banco Mundial, FMI e o Programa Mundial de Alimentos, já sinalizaram que aumentos nos preços de energia e fertilizantes tendem a elevar o custo dos alimentos. A Rússia busca ampliar exportações agrícolas para mercados no Oriente Médio, Ásia, África e América Latina, mantendo atuação em parceria com o Egito, maior importador de trigo russo.
A Rússia continua a ser um importante fornecedor de fertilizantes, mas sinaliza capacidade restrita de ampliar a produção neste ano. A meta do país é ampliar as exportações agrícolas em 50% até 2030, segundo autoridades do governo.
Além disso, a Rússia destaca oportunidades de longo prazo para produtores nacionais diante da atual crise, mantendo ênfase na diversificação de mercados.
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