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Como as transferências de armas da China para o Irã evoluíram ao longo das décadas

Inteligência dos EUA avalia envio de mísseis portáteis da China ao Irã, sinalizando mudança no apoio militar entre os dois países, que negam a acusação

Um drone Shahed exibido durante um 'desfile militar' em Teerã, na sexta-feira, 10 de janeiro de 2025
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  • Autoridades dos Estados Unidos avaliam que a China poderia ter enviado mísseis portáteis ao Irã nas últimas semanas; o governo americano fala em possíveis mudanças no equilíbrio regional, e a China nega as acusações.
  • A China tem adotado, nos últimos vinte anos, apoio indireto ao Irã em vez de vendas formais de armas, especialmente após sanções da ONU e pressões norte-americanas.
  • Na década de oitenta, empresas estatais de defesa chinesas passaram a exportar armas para o Irã, atingindo o pico em dezoito anos; as vendas ao Iraque também foram significativas.
  • Nos anos noventa, a China ajudou o Irã a desenvolver capacidade militar, incluindo mísseis de cruzeiro, com transferência de tecnologia e apoio à construção de instalações de produção e de testes.
  • Entre 2000 e hoje, as sanções de 2006 reduziram contratos formais, mas a China passou a fornecer tecnologias de uso dual — úteis tanto para fins civis quanto militares — como componentes para mísseis e drones.

O artigo analisa a evolução das transferências de armas da China para o Irã ao longo das décadas. Autoridades americanas indicaram que Pequim pode ter enviado mísseis portáteis a Teerã recentemente, o que elevaria o tom da relação. A China negou as acusações, dizendo que são invenções.

Historicamente, a China mantinha um equilíbrio delicado com o Irã, oferecendo assistência principalmente por meio de componentes e know-how, não de vendas diretas. As tensões aumentaram com avaliações de inteligência dos EUA sobre possíveis envios de armamentos.

A possível mudança seria significativa para o papel regional da China e para o equilíbrio de poder no Oriente Médio. Pequim depende de petróleo do Golfo Pérsico, o que motiva interesses estratégicos na região.

Mudanças ao longo das décadas

Na década de 1980, com o início da Guerra Irã-Iraque, a China abriu o setor estatal de defesa para exportação. Mísseis, caças e blindados abasteceram Teerã, com pico em 1987, segundo o SIPRI. O Irã recebeu também ajuda de Beijing para o Iraque, alimentando um conflito com armas chinesas.

Na década de 1990, o Irã recebeu apoio tecnológico para modernizar sua indústria militar. Mísseis de cruzeiro iranianos Noor nasceram de engenharia reversa a partir de mísseis chineses C-802. Pesquisadores destacam o papel da China na modernização iraniana de mísseis.

Dos anos 2000 até hoje, o foco recaiu sobre tecnologia de uso dual. Em 2006, sanções da ONU pressionaram o Irã e reduziram contratos formais de armas. A China passou a fortalecer vínculos com o Golfo, mantendo relações estratégicas com Arábia Saudita, Emirados Árabes e Catar, ao mesmo tempo em que fornecia componentes de uso duplo.

Isso incluiu materiais para produção de combustível de mísseis balísticos e componentes para drones, como conectores de RF e pás de turbina. As autoridades destacam que o apoio chinês se manteve difícil de rastrear, variando entre cooperação tecnológica e exportação de itens sensíveis via intermediários.

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