- Conferência internacional em Berlim reúne governo alemão, países africanos, ONU, doadores e sociedade civil para mobilizar ajuda humanitária no Sudão, marcando três anos de conflito entre as forças armadas e as milícias RSF.
- SAF e RSF não foram convidados para as conversas, que se concentram nas perspectivas civis e não em negociações de paz.
- Alemanha e parceiros anunciaram aportes: €125 milhões na conferência de Londres, mais €16 milhões em outubro de 2025, totalizando €141 milhões.
- Ainda assim, apenas quarenta por cento do plano de ajuda de 2025 foi financiado, gerando um déficit de €2,2 bilhões, com cortes orçamentários em diversos países doadores.
- O conflito provocou deslocamentos em massa e afeta fortemente a pobreza: mais de onze milhões de pessoas deslocadas e cerca de setenta por cento da população em pobreza, com grande insegurança alimentar.
O governo da Alemanha e parceiros internacionais promovem, em Berlim, uma conferência para mobilizar ajuda humanitária ao Sudão. O evento ocorre nesta semana, coincide com três anos de conflito entre as forças armadas sudanesas e uma poderosa força paramilitar, e não envolve os combatentes diretos.
Representantes do governo alemão, países africanos, Nações Unidas, doadores internacionais, ONGs e a sociedade civil sudanesa participam da Terceira Conferência Ministerial Internacional sobre o Sudão, realizada no Ministério das Relações Exteriores alemão. A conferência é coorganizada pela Alemanha, União Africana, UE, França, Reino Unido e EUA.
A presença de ambos os lados do conflito não foi incluída nas negociações, cuja pauta foca nas perspectivas civis, não em negociações de paz. Gerrit Kurtz, especialista em África, ressalta que as partes não participam nem são convidadas.
O Ministério das Relações Exteriores alemão informou que o foco é a entrega de ajuda humanitária urgentemente necessária à população civil. A Alemanha está entre os maiores doadores de ajuda humanitária no Sudão.
Na diligência de abril de 2025, a Conferência de Londres recebeu promessa alemã de 125 milhões de euros em ajuda para o Sudão e países vizinhos. Em outubro de 2025, Berlim anunciou mais 16 milhões de euros, elevando o total a 141 milhões.
Apesar dos esforços internacionais, o plano de ajuda de 2025 atingiu apenas 40% de financiamento, gerando um déficit de 2,2 bilhões de euros, segundo o jornal Merkur. Cortes orçamentários em países doadores contribuíram para a lacuna.
Deslocamento, pobreza e insegurança alimentar
O conflito, iniciado em 15 de abril de 2023, envolve SAF e RSF, com a RSF buscando ampliar o controle nacional. A SAF domina áreas do norte e leste; estimativas de mortos variam amplamente, com números que chegam a 150 mil a 400 mil.
Mais de 11 milhões de pessoas foram deslocadas, configurando uma das maiores crises de deslocamento do mundo. Cerca de 28,9 milhões de sudaneses enfrentam insegurança alimentar aguda.
Dados da UNDP indicam que cerca de 70% da população vive na pobreza, com o país registrando agravamento de renda desde o início do conflito. Um terço da população recebe menos de metade do salário mínimo previsto.
Kurtz ressalta a necessidade de responsabilização de países que apoiam os lados em conflito. Em relatório da UNDP, a pobreza extrema aumentou significativamente, com impactos como crianças fora da escola e perdas de meios de subsistência.
A UNDP aponta que mais de 21 milhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar aguda, e a maioria da população precisa de ajuda emergencial. O organismo também destacou que a pobreza aumentou desde 1992, atingindo níveis sem precedentes.
Alguns grupos sudaneses boicotaram a conferência, como a National Forces Alliance, criticando a exclusão do governo e a participação de organizações associadas a estruturas paralelas controladas pela RSF.
Participação e alcance das medidas
Apesar dos apelos, a conferência enfatiza perspectivas civis sem incluir as partes em conflito. O evento busca acordos de apoio imediato à população, com foco em assistência humanitária, mobilização de recursos e coordenação de ações.
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