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Parlamento francês aprova projeto de restituição de obras saqueadas

França aprova por unanimidade projeto de lei para restituição de bens culturais saqueados de antigas colônias, facilitando devolução a Argélia, Mali e Benim

FILE- A visitor looks at wooden royal statues of the Dahomey kingdom, dated 19th century, at the Quai Branly museum in Paris, France, November, 2018.
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  • A Assembleia Nacional da França aprovou, de forma unânime, um projeto de lei que facilita a restituição de obras de arte saqueadas em antigas colônias francesas.
  • O Senado já tinha aprovado o texto em janeiro; agora o processo segue para implementação.
  • Países como Argélia, Mali e Benin já apresentaram pedidos de restituição de artefatos.
  • O projeto prevê que o Estado faça o pedido formal e se comprometa a proteger e expor as peças ao público, com avaliação de uma comissão sobre aquisição ilegítima; itens militares, acervos públicos e fragmentos de escavações ficam de fora.
  • A legislação de restituição foi prometida pelo presidente Emmanuel Macron há quase uma década, após a devolução recente de objetos culturais para África, como o tambor sagrado Djidji Ayôkwé.

A Assembleia Nacional da França aprovou, de forma unânime, um projeto de lei que facilita a restituição de bens culturais saqueados durante o período colonial. A Câmara alta já havia endossado a proposta em janeiro, consolidando o caminho legislativo.

O texto contempla objetos culturais tomados de países que integram o antigo império colonial francês, incluindo Argélia, Mali e Benin. A iniciativa foca especialmente em itens apreendidos entre 1815 e 1972, ano em que entrou em vigor a convenção da UNESCO sobre proteção do patrimônio cultural.

A lei estabelece condições para que um Estado emissor solicite a devolução, com garantias de proteção, exibição pública e salvaguarda do patrimônio. A avaliação fica a cargo de um comitê que analisa se os bens foram obtidos de forma ilegítima ou por meio de coerção. Itens militares, arquivos públicos e participações em escavações arqueológicas ficam fora do alcance.

Durante o debate, a bancada discutiu o alcance temporal da norma, ainda sem consenso completo. A votação foi unânime, mas divergências sobre a aplicação prática e o escopo temporário foram mencionadas.

A aprovação ocorre quase uma década depois do compromisso do presidente Emmanuel Macron de devolver bens culturais tomados de países africanos. Em 2025, França já retornou ao Ivory Coast o tambor sagrado Djidji Ayôkwé, retirado pelas forças coloniais em 1916.

Contexto e próximos passos

O projeto exige que o Estado proceda com a solicitação formal de devolução e com a proteção dos itens demonstrados ao público. A decisão final cabe ao comitê avaliador, que considera a origem dos bens e a legitimidade da aquisição.

Especialistas apontam que a nova legislação pode responder a pedidos de países africanos e ampliar o retorno de peças históricas. Autoridades francesas afirmam que o objetivo é promover transparência e cooperação cultural.

Segundo interlocutores, a lei pode aumentar o intercâmbio de acervos entre museus franceses e instituições de países de origem. A medida reforça um movimento global de maior responsabilização por acervos históricos capturados durante o colonialismo.

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