- O ministro da Economia do Líbano, Amer Bisat, disse à Euronews que o país quer paz com Israel e está cansado de guerra, em negociações diretas em Washington, mediadas pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
- As conversas, as primeiras entre os dois países em mais de trinta anos, visam encerrar hostilidades entre Israel e o Hezbollah, grupo militante apoiado pelo Irã.
- O objetivo do Líbano é terminar a violência e reduzir perdas humanas, destacando preços muito altos pela guerra.
- Oposição do Hezbollah às negociações com o Líbano foi reiterada, com o grupo dizendo que não se sujeitará à desarmamento; Bisat aposta em consenso interno para pressão sobre o grupo.
- A rodada de 14 de abril é vista como etapa inicial; os EUA permanecem como único mediador, e ainda não houve extensão de cessar-fogo a partir do Líbano.
O ministro da Economia e do Comércio do Líbano, Amer Bisat, afirmou à Euronews que o país está cansado da guerra e quer a paz com Israel, à medida que ocorria em Washington a primeira rodada de negociações diretas entre os dois países em décadas. O encontro, mediado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, visa encerrar os conflitos entre Israel e o Hezbollah, grupo xiita apoiado pelo Irã.
Bisat ressaltou que, para o Líbano, os objetivos centrais são o fim das hostilidades e a cessação da violência. Ele destacou ainda que o Líbano já sofreu um custo humano elevado, com mortes, feridos e deslocamentos massivos desde as ações militares iniciadas em março.
Dados do conflito indicam mais de 2 mil mortos e cerca de 1,2 milhão de pessoas deslocadas desde o início da ofensiva israelense, que incluiu ataques aéreos seguidos de invasão terrestre. O objetivo declarado de Israel foi responder a ataques de foguetes do Hezbollah.
Diálogo entre Líbano e Israel
Antes das negociações de 14 de abril, o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, disse ter autorizado as conversas com a perspectiva de um acordo de paz histórico que dure por gerações, condicionando o sucesso à desmilitarização do Hezbollah.
O Hezbollah sustenta que não se submeterá a esse desarmamento, afirmando que não se vê preso aos resultados da reunião entre os embaixadores libanês e israelense nos EUA. Bisat indicou que o país pode enfrentar pressão interna pela desmilitarização, baseada em um consenso nacional contra a violência.
Ele afirmou que, caso o governo consiga garantir o fim das operações de Israel no Sul do Líbano, região sob influência do Hezbollah, e restabeleça a soberania, deve haver apoio da população e da comunidade xiita para uma solução pacífica.
Bisat descreveu a rodada atual como o início de um processo mais amplo, com etapas futuras envolvendo um grupo maior e um período mais longo de negociações. A meta central permanece a cessação das hostilidades.
O acordo de cessar-fogo frágil entre Israel, EUA e Irã na semana anterior não foi estendido ao Líbano. O Departamento de Estado dos EUA informou que continuará como mediador exclusivo e que as negociações diretas devem ocorrer em momento e local mutuamente acordados.
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