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Post viral compara conquista de Hormuz por Portugal com operação dos EUA no Irã

Historiadores dizem que comparação entre conquista de Hormuz e intervenção dos EUA no Irã mistura fatos verídicos com exageros

Replicas of two of Christopher Columbus's ships, the Niña, on the right, and the Pinta, sail up the River Thames off New London, Connecticut.
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  • Um post viral compara a conquista portuguesa de Hormuz, em 1515, com a operação dos EUA contra o Irã, misturando fatos e exageros, conforme historiadores ouvidos pela Euronews.
  • A expedição portuguesa envolveu 27 navios, cerca de 1.500 portugueses e 600–700 indianos, sob o comando de Afonso de Albuquerque, e estabeleceu domínio sobre Hormuz até 1622.
  • O domínio não foi sobre todo o Golfo Pérsico; houve resistência e comércio de arabos e persas, e a ideia de monopólio comercial entre Arábia e Índia é contestada.
  • Os custos da operação dos EUA variam conforme a fonte: cerca de $18 bilhões até março, com estimativas entre $22,3 bilhões e $31 bilhões nas cinco semanas seguintes; haveria também despesas diárias com equipamentos destruídos.
  • As consequências incluem tensões diplomáticas, impactos em aliados do Golfo, interrupções em infraestrutura energética e o estreitamento do Estreito de Hormuz, com diferenças estratégicas relevantes entre as ações portuguesas no século XVI e a intervenção dos EUA hoje.

O post viral nas redes sociais traça paralelos entre a operação militar dos EUA contra o Irã e a conquista de Hormuz pelo Império Português no século XVI. Segundo especialistas ouvidos pela Euronews, a comparação mistura fatos e exageros.

A peça online afirma que Portugal assegurou controle duradouro sobre o Estreito de Hormuz em 1515 com muito menos recursos que os EUA empregam hoje contra o Irã, sem causar o mesmo abalo econômico. Essa leitura é contestada por historiadores.

Segundo Rui Manuel Loureiro, a expedição de 1515 envolveu 27 navios, com cerca de 1.500 portugueses e 600 a 700 indianos. A posição de Albuquerque levou à ocupação de Hormuz, que durou até 1622, quando prevaleceu uma aliança persa-inglês.

Entretanto, muitos elementos do post são considerados exageros ou anacrônicos. A permanência portuguesa no Golfo durou aproximadamente 107 anos, confinada à ilha e a pequenas dependências, não ao Golfo inteiro.

Não houve domínio total do Golfo, lembra Loureiro. O tráfego local continuou a ocorrer com navios árabes e persas. A ideia de um monopólio comercial entre Arábia e Índia também é duvidosa, por envolver várias embarcações que escaparam ao controle luso.

Contexto histórico e comparação

A visão de Albuquerque era assegurar o controle da ilha de Hormuz, sem intenção de atacar a Pérsia, um estado continental relevante. O cenário atual envolve uma ofensiva sobre o Irã e a possível repercussão para Hormuz, apontam os especialistas.

Custos e dimensão da operação

O post cita 18 bilhões de dólares em custos até março. Especialistas trazem estimativas diferentes, com referência a dados de institutos norte-americanos que apontam gastos diários elevados com equipamentos destruídos. O total de aeronaves, navios e tropas varia conforme a fonte.

Dados do Atlantic Council indicam ao menos 134 aeronaves e 18 navios em abril. A Times revelou que, em março, mais de 50 mil tropas estavam na região, com deslocamentos para bases e navios em vários países do Golfo. A comparação entre números históricos e modernos exige cautela.

Consequências e leitura atual

Entre as consequências destacadas pelo post estão crise energética global, disrupção econômica e tensões diplomáticas. Os especialistas ressaltam também impactos regionais em países aliados do Golfo, com danos a infraestrutura crítica e interrupções na produção de energia.

Apesar de um cessar-fogo mediado, permanece uma situação de impasse. A economia global continua sensível a choques na região, destacam. Iran continua estudando cobrança de taxas para o tráfego no estreito, prática considerada irregular pelo direito internacional.

Lições históricas versus realidade atual

Para os especialistas, o cerne da diferença está na finalidade estratégica: Portugal visava o controle de Hormuz, enquanto os EUA atuam num conflito continental com o Irã. A tecnologia atual, mesmo com vantagem dos EUA, tem seus limites frente a cenários geopolíticos complexos.

A análise aponta que a comparação, embora curiosa, não substitui o entendimento das realidades históricas e contemporâneas. Fatos e números devem ser checados separadamente para evitar leituras simplificadas.

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